Sucesso absoluto na segunda temporada de Demolidor, o Justiceiro (Jon Bernthal) retorna à Netflix, agora dono de sua própria série. Após tantas tentativas frustradas de adaptar o anti-herói no cinema, será que ele finalmente recebeu uma adaptação definitiva ou era melhor tê-lo deixado na sombra das outras séries da Marvel/Netflix? Curiosamente, nem uma nem outra.

 

 

O maior desafio dos produtores, e principalmente do criador da série Steve Lightfoot, era humanizar um personagem nada pacífico. Em Demolidor, Castle funcionou muito bem como antagonista, destacando-se por sua violência gráfica. Com esta estreia arrasadora, duas coisas ficaram claras: o melhor do personagem é quando ele é visto como um monstro imparável e Bernthal foi a escolha perfeita para o papel. Algo que só se comprova nesta primeira temporada de O Justiceiro.

 

Bernthal é Frank Castle de corpo e alma. O ator consegue emocionar quando precisa emocionar, e tem muita presença nas cenas de ação que resultam em litros de sangue derramados, além de muitos membros decepados. Uma cena específica de tortura me deixou com mal-estar pela sua atuação desgastante (parecia que estava apanhando de verdade), sem falar das partes dignas de um Clube da Luta, em que sua voz sai como um trovão. No quesito “violência para adultos” a série não decepciona, o problema é quando vai além disso.

 

 

A série tem vergonha de seu protagonista. Como disse acima, Castle é um monstro, é um Capitão Nascimento. É um homem dominado pelo ódio, carregado de um senso de justiça próprio. A série passa os 13 episódios justificando os atos dele, tentando de uma forma desesperada, não culpá-lo pelas mortes. Para cada carnificina, vem um episódio mostrando o porquê daquilo, e quanto ele sofre por fazer o que faz. Uma trama já trabalhada em Demolidor, mas é enxugada até a última gota aqui. Até tem a inclusão de uma nova família, do ótimo coadjuvante Micro/David Lieberman (Ebon Moss-Bachrach), para ajudar na enrolação de linguiça. A relação forçada entre Castle e a esposa de David só não é pior do que a participação de Karen Page (Deborah Ann Woll), a super-jornalista e, agora psicóloga, só aparece para chorar, chorar e choramingar.

 

Tirando essa enorme barriga dramática, a série se sustenta mesmo no subtema sobre a proibição ou não do uso de armas. Embora o programa, novamente, fica encima do muro sobre o assunto, os antagonistas são bem decididos. Lewis (Daniel Webber) faz o soldado atormentado pela guerra que usa o terrorismo para “defender” sua opinião e, desta forma, criar uma nova guerra para lutar. Enquanto o vilão principal, Billy Russo (Ben Barnes), se mostra melhor desenvolvido do que o próprio Castle. Sem milhões de indecisões para atingir seu objetivo. No time da “justiça”, o destaque fica, além de Micro, para a Dinah Madani de Amber Rose Revah. Uma personagem forte que deixa ainda mais claro a desnecessária presença de Karen Page.

 

 

O Justiceiro é mais uma prova que a Marvel/Netflix precisa repensar a duração das suas séries, e o que é realmente importante ou não contar. Se por um lado a série falha em não abraçar a verdadeira natureza de Frank Castle, por outro acerta em tratar de temas delicados nos EUA e construir um promissor antagonista para a próxima temporada. Um segundo ano, se vir, tem que vir com uma voadora nas costas.

 

 

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