A filmografia do britânico Edgar Wright é marcada por filmes inventivos, bem humorados e, acima de tudo, cheios de ritmo.

 

Dono da trilogia Cornetto, em que homenageia e também tira sarro de vários gêneros do cinema, e da incrível adaptação dos quadrinhos Scott Pilgrim Contra o Mundo, Wright diversifica a carreira com seu primeiro filme em solo norte-americano. Em Ritmo de Fuga é o auge da obsessão do diretor pela montagem. No melhor sentido possível.

 

Basicamente um filme de assalto com ares de musical, “Fuga” prova a máxima que o mais importante do que a história em si é a maneira de como ela é contada. O diretor segue todas as regras do gênero heist: o mocinho (Ansel Elgort) que, para sair do mundo do crime, precisa fazer uma última missão, além de proteger o amor da sua vida (Lily James) no processo.

 

No entanto, a maneira que acompanhamos a trama é genial. O longa segue religiosamente o ritmo da trilha sonora. Cada sequência, cada corte, cada transição, cada som diegético, combina perfeitamente com a música do momento. Ver os tiros se fundirem com as batidas da canção é apenas um detalhe prazeroso de um trabalho minucioso e brilhante.

 

Em Ritmo de Fuga é muito mais do que um simples filme de ação, é um musical moderno, é uma declaração de amor ao trabalho de montagem e a importância dele como linguagem. Enfim, uma amostra que ainda há espaço para ótimas ideias em um meio tão inchado de franquias.

 


Dirigido e escrito por Trey Edward Shults, Ao Cair da Noite dedica cada segundo para construir sua perturbadora atmosfera, com a intenção de entregar ao público a mesma inquietude e dúvidas de seus personagens.

 

Shults acerta deste o começo em não entregar muito do background que cerca o protagonista Paul (Joel Edgerton), um pai de família que vive isolado no meio da floresta. Sabemos o que os personagens sabem: um tipo de vírus “parece” ter dizimado parte da população, pelo menos daquela região, e todo cuidado com higiene deve ser tomado, principalmente em relação a contato com outras pessoas. Para piorar, por algum motivo desconhecido, sair a noite é algo fora de questão.

 

Infelizmente, o filme encontra seu ponto fraco quando outra família é introduzida. Shults não tem a mesma competência em desenvolver a relação dos personagens, e para o clímax funcionar, este é um fator decisivo. O diretor gasta tempo no mistério em torno do garoto Travis (Kelvin Harrison Jr.), deixando a interação dos personagens resumida a uma preguiçosa montagem de tempo. Uns minutos a mais para conhecer a segunda família e, com isso, fazer o público criar empatia por eles, daria um outro peso para o final. Um final amargo, verdade, mas que poderia ser intragável.

 


Keanu Reeves resurgiu em 2014 através do gênero “exército de um homem só” que voltou com força total após Busca Implacável (a franquia Bourne sempre foi mais pé no chão). Contudo, De Volta ao Jogo levou o estilo a outro nível, na criação de um universo de assassinos pronto para ser explorado. Agora com John Wick – Um Novo Dia Para Matar chegou a hora de expandir todas as possibilidades que esse mundo pode oferecer.

 

A continuação estabelece e expande o sistema criminoso que envolve Wick. Em nenhum momento o diretor Chad Stahelski sente vergonha do absurdo que o roteiro apresenta, e que muitos diretores veriam a oportunidade de criar piadas sobre. Ao contrário, a produção é levada a sério de uma maneira tão intensa que fica difícil também não levar. As frenéticas e estilosas cenas de ação não me deixam mentir.

 

Então, o fato de 90% da população mundial ser constituída de assassinos vai de uma mera bobagem para um perigo iminente ao protagonista. A entrega física de Reeves também contribui, resultando em uma pegada realista que faz a diferença. Mas não tão realista assim, pois Wick está muito mais próximo de um super-herói do que um simples mortal. Um super-herói que promete extinguir a humanidade da face da terra.

 


Às vezes a ganância não tem limites. Uma prova disso é a franquia Transformers e, se não bastasse as bobagens da “história” principal, spin-offs estão em produção. Mas o que mais me causa espanto, é como a Disney se perdeu com Piratas do Caribe.

 

Uma empresa que retomou às redeas do mercado no séc. 21, inexplicavelmente não sabe o que fazer com uma de suas mais bem sucedidas franquias. A Vingança de Salazar consegue o feito de repetir os mesmos erros de seu antecessor: estrela um Johnny Depp cansado de ser Jack Sparrow, sendo um peso na trama; casal de protagonistas sem carisma e sem arcos dramáticos a serem desenvolvidos (não há uma transformação de valores, do jeito que começam, terminam); um vilão (Javier Bardem) carregado de efeitos visuais para impressionar nos trailers e o humor, antes irretocável nos filmes anteriores, parece que saiu da cabeça de uma criança de cinco anos. Pelo menos Geoff Zanelli ainda consegue honrar a marcanta trilha sonora de Zimmer e disfarçar um pouco os problemas.

 

Um dos chamarizes do longa, a inclusão de personagens clássicos, soa apenas como apelação à nostalgia dos fãs. Com tantos contras, ficou a cargo de Geoffrey Rush, com seu capitão Barbossa, carregar o filme nas costas e dar um pouco de dignidade a essa série que deveria descansar em paz.