Finalmente, após um universo cinematográfico de mais erros do que acertos, a Warner/DC Comics entrega a “sua” Liga da Justiça. Destaco o pronome possessivo, pois embora o filme tenha sido dirigido por Zack Snyder e regravado em partes por Joss Whedon, a produção é muito mais uma visão do estúdio do que qualquer um dos autores. Sim, geralmente em Hollywood, os estúdios tem a última palavra no corte final, o problema é quando os responsáveis em questão não sabem o que querem com o produto. Pelo menos, a Warner Bros. parece estar aprendendo com os tropeços, mesmo que ainda esteja longe do ideal.

 

 

Liga da Justiça segue o exemplo do bem sucedido Mulher-Maravilha: é um filme correto e seguro, sem espaço para voos altos. A diferença é que enquanto o filme de Patty Jenkins brilha com uma protagonista carismática e relevante em sua mensagem, a Liga se contenta com a simplicidade, esquecendo que seus personagens são “só” os maiores heróis dos quadrinhos. Até o tão criticado Batman vs Superman – A Origem da Justiça mostrou coragem para bancar suas ideias. Uma pena que desandou do “Marta” adiante.

 

Longe de ter uma montagem bagunçada que nem Esquadrão Suicida, o corte de duração que o longa de Snyder sofreu – previsto para três horas foi para duas -, de certa forma, entregou um bom ritmo para uma história que poderia ter sido tediosa. Em poucos minutos fica estabelecido o plot do roteiro, escrito pelo próprio Whedon e Chris Terrio, sobrando espaço para o desenvolvimento da equipe formada por Batman (Ben Affleck), Mulher-Maravilha (Gal Gadot), Aquaman (Jason Momoa), Flash (Ezra Miller) e Ciborgue (Ray Fisher). Se por um lado a equipe dá um show de parceria, individualmente, deixa a desejar. É nítido que Aquaman e Ciborgue tiveram suas tramas reduzidas e, deste modo, surgindo buracos de informação que poderiam responder perguntas de como Aquaman conseguiu o tridente e a armadura.

 

 

A história não tem muito segredo, um vilão de outro mundo desce na Terra para recuperar as caixas maternas e assim dominar o mundo, restando a Liga combate-lo. O Lobo da Estepe (Ciarán Hinds) é a ameaça da vez, e pode-se dizer que é um dos piores já feitos para um filme do gênero. Um bonecão digital digno de um programa infantil da Disney, nunca se prova como um inimigo à altura da Liga. Outro aspecto que também falta originalidade é a ação. Snyder faz o seu “eu” antigo sentir vergonha com cenas de ação burocráticas, que resultam em esporádicos momentos de inspiração, como a sequência das amazonas protegendo uma caixa materna e a curta luta da Liga com Superman (Henry Cavill). Tudo bem, a luta do Homem de Aço com Lobo da Estepe tem seus altos. Fazia tempo que não via um Superman tão confiante e ciente de seu poder.

 

A química dos personagens merece aplausos, com os novatos destacando-se quando estão em conjunto. Tudo isso muito por causa do humor de Whedon. Algo nítido nos dois Vingadores. Para minha surpresa, as piadas foram bem distribuídas, não deixando o longa totalmente pastelão, o permitindo ser dramático quando precisa. Há derrapadas em relação ao Flash por ser um alívio cômico sobrecarregado e a mudança radical de personalidade do Batman que, de um justiceiro cansado em BvS para um tiozão gente boa, simplesmente não cola. Mas são exageros esperados quando se tenta deixar um tom pesado um pouco mais leve.

 

 

Como ficou claro na crítica, Liga da Justiça se sustenta em uma corda bamba de erros e acertos. O que demonstra a insegurança da Warner/DC Comics com seu universo. Uma insegurança que influenciou até na trilha sonora de Danny Elfman. O maestro resgatou os temas clássicos de Batman e Superman, porém de uma maneira tão tímida que só os mais atentos irão perceber. Contudo, no balanço geral, o filme dá sinais de um futuro promissor, ou menos conturbado, para vindouros projetos. A Mulher-Maravilha continua imponente, Aquaman cria boas expectativas para sua aventura solo, idem Flash, e Superman, ignorando o horrível CGI usado para disfarçar o polêmico bigode, mostra o quão grande e importante esses heróis são para toda uma geração. Uma geração que merece dias melhores em vez de viver em uma eterna esperança.

 

 

Trailer: