Ouvir o primeiro álbum da The Killers e depois conferir o quinto trabalho de estúdio, Wonderful Wonderful, é uma experiência interessante que mostra a evolução de uma banda. Não é questão de ser melhor ou não, os dois álbuns tem seus próprios méritos, e sim não se contentar com uma fórmula de sucesso. Sendo assim, The Killers acerta em cheio, mais uma vez, em um álbum maduro digno dos 16 anos de carreira.

 

 

Se o vocalista Brandon Flowers foi influenciado pelo som da banda em seu primeiro trabalho solo, Flamingo, agora ele virou o jogo e trouxe influências do brilhante Desire Effect para a sala de gravação de Wonderful Wonderful. O ritmo contagiante da dance music é a bola da vez na imponente The Man. Impossível não ouvi-la e não sentir-se a pessoa mais foda do mundo. O sintetizador de Flowers continua o trabalho oitentista na emocional Tyson vs. Douglas, que retrata a clássica luta de boxe entre Mike Tyson e Buster Douglas. E não adianta fechar os olhos para evitar o choro.

 

Seguindo a pegada nostálgica, Out Of My Mind é outra pérola que poderia ter sido facilmente um clássico nos tempos da brilhantina. Mesmo não sendo uma banda conservadora, The Killers traz seu usual indie rock na bela Life To Come e Rut, esta que deixa claro o tom pessoal das letras, compostas por Flowers. A música remete a luta de sua esposa contra PTSD (Desordem Cargo-Traumático do Esforço).

 

 

No entanto, o álbum se faz na ambição da banda. A faixa-título traz um estrondoso baixo de Mark Stoermer, dando base para uma épica atmosfera completada por Ronnie Vannucci. O baterista entrega uma perfomance brilhante em todo disco. Mais intimista, Some Kind Of Love vai direto na alma com seu Q de psicodelismo. Uma música que precisa de paciência para ser apreciada, mesmo assim, vai valer a pena. Have All The Songs Been Written segue a mesma proposta, incluindo uma inédita guitarra bluseira de Dave Keuning. Apesar do detalhe, a faixa é ofuscada por suas companheiras por não acompanhar a mesma inspiração.

 

Fechando esse álbum maravilhoso (desculpa, tive que usar o adjetivo), Run For Cover é a típica canção “Springsteen” que a banda faz tão bem. Ótima para sair correndo sem destino. Uma das melhores ao lado da sombria The Calling. Música perfeita para andar sobre os corpos dos inimigos, enquanto saboreia a vitória. Mesmo ela não tendo relação nenhuma com a cena que descrevi.

 

The Killers mantém sua essência com Wonderful Wonderful, além de seguir novas direções que só enriquecem ainda mais o som da banda. Que por sinal, só melhora com tempo.

 

Tracklist:

 

01. Wonderful Wonderful
02. The Man
03. Rut
04. Life To Come
05. Run For Cover
06. Tyson vs. Douglas
07. Some Kind Of Love
08. Out Of My Mind
09. The Calling
10. Have All The Songs Been Written

 

 

Clipe: