Diga-se de passagem, dos três principais Vingadores, Thor (Chris Hemsworth) é o que mais sofre em suas aventuras solos. Não atinge o potencial épico que suas histórias poderiam ter e ainda por cima é ofuscado por seu irmão Loki (Tom Hiddleston). Por causa disso, a Marvel Studios decidiu levar o herói para outra direção, o aproximando do universo descompromissado de Guardiões da Galáxia, numa tentativa de popularizar o Deus do Trovão através do humor frenético.

 

 

Com este objetivo, o estúdio contratou o diretor Taika Waititi, responsável por comédias imperdíveis como What We Do In The ShadowsHunt For The Wilderpeople, para explorar ao máximo o excelente timing cômico de Chris Hemsworth, já visto, por exemplo, em As Caças-Fantasmas. O humor é a palavra de ordem na MCU. No entanto, a grande questão aqui é como pegar um personagem que, durante quatro filmes, era carregado de uma seriedade admirável e transformá-lo em um bobo da corte sem provocar uma incomoda estranheza. Pois é, a mudança foi tão drástica que é difícil não virar a cara.

 

Thor – Ragnarok com certeza funcionaria melhor como um filme separado da MCU. Assim, o humor nonsense, infantil e paródico de Waititi ficaria livre para voar, sendo algo mais próximo de Deadpool do que qualquer filme da Marvel. O problema é que o diretor, além de deixar sua marca, precisou seguir o que foi construído para o personagem, não conseguindo equilibrar uma coisa com a outra. O drama e a comédia vivem uma guerra de sabotagem que prejudica o tom do filme. É só ver a relação falha de Thor com Loki. O passado deles é cheio de momentos dramáticos e aqui é tratado como se fosse uma simples briguinha de irmãos. Qualquer tensão entre os dois é sempre interrompida por uma piada. Piada mesmo é o Loki não ter nenhuma importância na trama.

 

 

O filme não está interessado em provocar outras reações que não seja o riso. Não se engane com o subtítulo, em que deixa implicado a destruição de Asgard. Em nenhum momento há uma apreensão de perigo real. Em contrapartida, na maior parte do tempo,  Thor – Ragnarok consegue sim fazer rir. O protagonista é patético, no bom sentido, e sua química com Hulk (Mark Ruffalo) continua em alta. As cenas de ação são um show visual de encher os olhos – o clímax ao som de Immigrant Song é de pirar -, se não bastasse o design de produção colorido ao melhor estilo Jack Kirby.

 

Dos personages novos, Hela (Cate Blanchett) e Grão-Mestre (Jeff Goldblum) roubam a cena, cada um à sua maneira. Blanchett mostra prazer ao viver a vilã, enquanto Goldblum se diverte a cada segundo na tela com seu excêntrico personagem. A Valkyrie de Tessa Thompson funciona bem ao lado do protagonista, diferente de Karl Urban que é um completo peixe fora da água. Sério mesmo que contrataram ele só para ter uma cena legal nos trailers? Por falar nisso, uma certa luta do Hulk só foi feita para vender o filme. Nada mais.

 

 

Thor – Ragnarok é uma boa comédia recheada de ação pirotécnica, mas que não leva a sério a própria história que conta. Ou os personagens envolvidos nela. Um tom desequilibrado que impede, mais uma vez, de Thor ter um filme à sua altura. No melhor dos cenários, pelo menos mostra ser um caminho interessante que eles podem acertar na próxima vez.

 

 

Trailer: