Nos anos 1980, Stranger Things encant… não, pera. Em 2016, Stranger Things encantou os fãs saudosos de uma época dominada por obras de Stephen King e Steven Spielberg. Depois de um sucesso estrondoso, até inesperado pela Netflix, a grande dúvida era como os criadores, os irmãos Duffer, lidariam com a pressão de suprir as altas expectativas do fãs para a segunda temporada. A saída foi encontrar um equilíbrio entre continuar com o que deu certo e arriscar em outros aspectos, pois, acima de tudo, eles mostram um total controle da história, independente do que os fãs esperam.

 

 

A “continuação” se passa um ano após os acontecimentos da primeira temporada, com Will Byers (Noah Schnapp) tentando levar uma vida normal, enquanto seus amigos, principalmente Mike (Finn Wolfhard obviamente sem a boca suja de It – A Coisa), ainda estão recuperando-se da ausência de Eleven (Millie Bobby Brown). Logo nos primeiros episódios, o grupo, em sua fase adolescente, é abalado pela chegada de uma nova menina, Max (Sadie Sink), que, dos novos personagens ao lado do seu irmão Billy (Dacre Montgomery), chegou para não sair mais da série.

 

Essa segunda temporada traz uma carga dramática muito maior, além de enfiar o pé inteiro no horror. Os irmãos Duffer enfim exploram o lado mais sombrio de King e de outros clássicos do terror, como O Exorcista. Cada personagem ganha sua própria jornada, e o grupo, tão marcante no primeiro ano, vai desfazendo-se aos poucos, tendo uma interessante união com outros núcleos. Um exemplo disso é a inusitada parceria de Dustin (Gaten Matarazzo) e Steve (Joe Keery) que desenvolvem uma cumplicidade de irmãos. Uma saída para não deixar o personagem de Keery no esquecimento, já que o moço parece ter perdido de vez o coração de Nancy (Natalia Dyer) para Jonathan (Charlie Heaton). Mesmo assim, esse triângulo amoroso promete render bastante.

 

 

No entanto, não é só Steve que sofre por amor. Dustin compete com Lucas (Caleb McLaughlin) pela afeição de Max, enquanto Mike nutre uma faísca de esperança em rever Eleven. A grande atração da temporada passada, a devoradora de Eggos tem uma menor participação, porém não menos relevante. Ela cria uma relação, perturbada até certo ponto, de filha e pai com o policial Jim Hopper (David Harbour) e também descobre informações importantes de seu passado e que podem levar a série por um caminho promissor. O sétimo episódio, A Irmã Perdida, é praticamente um teste para o futuro. E sim, tenho que destacar a inclusão da Bon Jovi na já incrível trilha sonora que, desta vez, celebra o começo do glam metal.

 

O “culpado” para a perda de espaço de Eleven na história é Will. Perseguido pelo Demogorgon na primeira temporada, não é agora que terá um momento de paz. Preso entre os dois mundos, se torna uma chave para o novo e gigantesco monstro – com ares de Lovecraft – invadir a cidade de Hawkins. Deste modo, Will domina a trama principal com várias cenas assustadoras, deixando sua mãe (Winona Ryder) ainda mais desesperada. Se serve de consolo, o personagem de Sean Astin é essencial para que ela suporte este novo desafio. Os dois últimos episódios são épicos, sombrios e emocionantes. Um exagero necessário de uma série que sabe manter a história em uma simplicidade contagiante, sem nunca esquecer da sua verdadeira força: os personagens.

 

 

Stranger Things 2 é uma admirável evolução desta instigante história dos irmãos Duffer. Menos interessados em referências e “memes” (os desenhos substituem as luzes), eles conseguem expandir o universo (ou os universos) através de um arco fechado que pode ser aberto a qualquer momento. E quando for, mais coisas estranhas ainda vão acontecer para a tristeza dos personagens e a alegria dos fãs.

 

 

Trailer: