Não é preciso assistir todas as séries para saber que Rick and Morty está entre as melhores. Em termos de complexidade e ambição, pode-se dizer que a animação criada por Dan Harmon e Justin Roiland não deve em nada para grandes produções como Westworld e, ainda por cima, garante horas de diversão nonsense e paródica.

 

 

Depois de duas temporadas impecáveis, Rick and Morty mantém o altíssimo nível das histórias e entrega um terceiro ano memorável com direito a mais lenha na fogueira das teorias. Fica evidente a cada episódio o árduo trabalho da equipe criativa em entregar o melhor, sendo necessário assistir mais de uma vez para pegar todos os detalhes e, mesmo assim, ainda vai deixar algo passar. É claro que o estilo de humor de Dan Harmon exige um amplo repertório de cultura pop. Quem já assistiu Community sabe como é. Mas não se preocupe, há espaço para se divertir com os conceitos bem elaborados e bizarros que só uma excelente ficção científica pode trazer.

 

Nesta temporada, os roteiristas desenvolveram bastante a relação da família Smith. Tem episódios dedicados para cada um: Beth (Sarah Chalke) divorcia de Jerry (Chris Parnell) e enfrenta seus problemas com Rick (Justin Roiland); Summer (Spencer Grammer) lida com os “problemas” da adolescência; Jerry… continua sendo Jerry; e principalmente a dinâmica tóxica entre Rick e Morty (Justin Roiland). Episódios brilhantes como Rest and Ricklaxation em que, literalmente, a dupla enfrenta o seu pior “eu” e The Ricklantis Mixup, que resgatou um misterioso personagem da primeira temporada, mostraram outras faces desta relação tão complexa.

 

 

Pra variar, referências do cinema choveram nos dez episódios, deste Mad Max – Estrada da Fúria em Rickmancing The Stone até Os Vingadores em Vindicators 3 – The Return Of Worldender, neste último, se havia alguma dúvida da indiferença que Rick tem por Morty, foi eliminada com um belo tiro de misericórdia. No entanto, as ideias malucas de Harmon e Roiland é que merecem o tapete vermelho. Rick se transforma em um pickle (Pickle Riiiiiiiiiick) para fugir da terapia em família, uma parada de carros em que todos os visitantes tornam-se imortais, um mundo de fantasia em que o rei transa com animais e come seus filh… bom, melhor parar por aqui. E ainda tem o especial Morty’s Mind Blowers que é tão divertido quanto Interdimensional Cable 1 e 2.

 

Para fechar com chave interplanetária, a season finale The Rickchurian Mortydate vai contra todas as expectativas do fãs, que esperavam a conclusão de suas teorias, e encerra de uma maneira “simples”, sem nenhum cliffhanger desesperado para manter o público interessado até a próxima temporada. Contudo, a cena pós-créditos dá indicios de um possível especial de Natal. Será?

 

 

Com especial ou sem especial, Harmon mostra com o último episódio que está mais interessado em contar histórias separadas do que criar uma grande trama que tenha a necessidade de, futuramente, conectar tudo. Sem pressa em revelar os seus segredos, Rick and Morty tem tempo de sobra para continuar surpreendendo, divertindo e torturando seus fãs em todos os universos possíveis.

 

 

Trailer: