Existem filmes que crescem com o tempo, já outros vão na direção oposta. Até parecem legais de início, mas quanto mais se pensa sobre, aquela magia inicial desaparece e os problemas surgem. Kingsman – Serviço Secreto foi uma bem-vinda surpresa e que renovou o gênero de espionagem, com a famosa violência “artística” de Matthew Vaughn que é mestre no quesito. Então, era mais do que normal ter uma grande expectativa por Kingsman – O Círculo Dourado e ver aquele universo, ao mesmo tempo satírico e inovador, ser expandido. Bom, vi o filme faz uma semana e posso dizer que, no caso dele, esses sete dias não foram generosos.

 

 

A trama como um todo, escrita por Vaughn e Jane Goldman, é formulaica ao extremo. É claro que neste tipo de gênero é complicado fugir do básico: os mocinhos precisam impedir o plano mirabolante de um vilão excêntrico. O problema é quando do ponto A ao ponto B não apresenta nada além da mesmice. Embora tenha quase a mesma duração do primeiro, Kingsman 2 é arrastado e cheio de barrigas. Por exemplo, a relação de Eggsy (Taron Egerton) com sua namorada Tilde (Hanna Alström) é uma tentativa barata de desenvolver o lado emocional do herói. A falta de química e o humor forçado que eles proporcionam, resultam em um romance desinteressante.

 

Os personagens definitivamente são o maior problema de O Círculo Dourado que capricha no visual, mas esquece do conteúdo, e olha que o gênero não é conhecido por sua complexidade. No final das contas, a história acaba sendo uma desculpa para as frenéticas cenas de ação. Se tem algo que não se pode reclamar sobre Vaughn é a sua capacidade de filmar a ação, sempre optando por poucos cortes e tendo a sabedoria de escolher a trilha sonora certa para cada sequência. O trabalho de Henry JackmanMatthew Margeson brilha com clássicos do rock, em alguns momentos trazendo uma pitada de modernidade, dando ritmo para a pancadaria estilosa. Os primeiros minutos e os últimos são vestígios do potencial da franquia.

 

 

Kingsman 2 tem boas ideias. A vilã vivida por Julianne Moore é mais louca do que assustadora, mas o mundo criado por ela é charmoso e nostálgico, sem falar dos robôs que dão um charme a mais. Uma pena que a interação com os humanos só servem para expor algum conceito do lugar, como a iniciação ao Círculo Dourado. Ainda tem a participação de Elton John que, sinceramente, é uma gratuita e bizarra adição ao elenco.

 

Outra ideia bacana, e essa um pouco melhor trabalhada, são os Statesman. A versão americana dos Kingsman. O estereótipo americano em sua melhor forma: caubóis cheio de sotaque com nomes de bebidas. A parceria entre os dois grupos rende as melhores cenas, especialmente entre Eggsy e Whiskey (Pedro Pascal). E aqui não posso deixar de lamentar o desperdício de atores como Sophie Cookson – que já tinha mostrado uma melhor química com Egerton – e Channing Tatum que surge como o melhor personagem… para um futuro terceiro filme. O retorno de Harry Hart (Colin Firth) tem seus altos e baixos, já que ele enfraquece um dos grandes momentos de Serviço Secreto, mas continua badass, mesmo com um início entediante.

 

 

Kingsman – O Círculo Dourado é uma continuação que precisava de mais tempo para ser desenvolvida, mas acabou sendo uma repetição do primeiro sem o fator novidade. Só espero que as próximas missões tenham mais diversão e menos enrolação.

 

 

Trailer: