Embora tenha a aparência de uma produção barata e atuações discutíveis, o telefilme It – Uma Obra-Prima do Medo tornou-se um clássico cult, muito graças a memorável atuação de Tim Curry como o palhaço Pennywise. Com uma duração de três horas, dividido em duas partes, o filme acertou bastante na primeira parte que desenvolve a relação entre as crianças, e não foi diferente com a nova adaptação desta bíblia de Stephen King. It – A Coisa brilha na renovação de uma história que ganhou um novo fôlego pós-Stranger Things, e apresenta novamente aos jovens o pesadelo de seus pais.

 

 

Escrito por Chase PalmerCary Fukunaga (diretor de True Detective) e Gary Dauberman, a produção já acerta em cheio por ter consciência da verdadeira força da trama: as crianças. O tempo é bem gasto na construção da personalidade de cada um, revelando, aos poucos, suas vidas com problemas reais e também momentos de lazer. O laço emocional criado entre os personagens e o público é o fator primordial para que um filme de terror funcione. Não há como sentirmos medo, se não estamos emocionalmente ligados com eles. Uma regra básica do gênero que é ignorada nos spin-offs caça-níqueis.

 

O grupo de protagonistas, conhecido por O Clube dos Perdedores, é formado por Bill Denbrough (Jaeden Lieberher), Ben Hanscom (Jeremy Ray Taylor), Beverly Marsh (Sophia Lillis), Richie Tozier (Finn Wolfhard), Mike Hanlon (Chosen Jacobs), Eddie Kaspbrak (Jack Dylan Grazer) e Stanley Uris (Wyatt Oleff). Os amigos são perseguidos por uma criatura que desperta a cada 27 anos. Vindo da mesma escola de Freddy Krueger, o monstro assume várias formas, a mais popular é a do palhaço Pennywise (Bill Skarsgård), no objetivo de enfraquecer suas vítimas através do medo e, assim, as tornando vulneráveis para o banquete. Afinal, o medo sempre fez (e continua fazendo) as pessoas tomarem as piores decisões.

 

 

No entanto, Pennywise é fichinha comparado aos monstros da vida real, neste caso, os bullies e os adultos que deveriam servir de porto seguro. Em vez disso, eles são controladores e/ou demonstram um tipo de amor perigoso, possessivo, como no caso da personagem Beverly e o abuso sofrido pelo pai. Com a ambição de discutir outros temas, It – A Coisa consegue um admirável equilíbrio entre momentos leves e outro bem pesados, sem ter mudanças bruscas de tom ou parecer dois filmes diferentes dentro de um. Um feito alcançado devido ao sensível trabalho de fotografia de Chung-hoon Chung.

 

Mas no final das contas, It – A Coisa é um filme de terror. O diretor argentino Andy Muschietti (conhecido por Mama) constrói uma atmosfera claustrofóbica nas cenas que envolvem Pennywise. Mesmo que a trilha sonora de Benjamin Wallfisch exagera um pouco, aparecendo mais do que deveria, e alguns sustos previsíveis, Muschietti aproveita a alta censura para chocar – a cena clássica do bueiro me deixou de boca aberta – e fazer os personagens sofrerem não importando a idade deles. O que, claro, torna o clímax ainda mais gratificante. Vale destacar a brilhante atuação de Skarsgård que se transforma completamente em Pennywise, marcando uma nova geração de fãs.

 

 

It – A Coisa é facilmente uma das melhores adaptações da obra de Stephen King (e um alívio após Torre Negra). Com casting perfeito e um ritmo dinâmico que faz a longa duração parecer pouca, este “capítulo um” só falha por não apresentar a continuação logo em seguida. Ainda bem que em Outubro, uma nova turminha está de volta para aprontar altas confusões.

 

 

Trailer: