Após o lançamento do EP Saint Cecillia, Dave Grohl escreveu uma carta anunciando o hiato da banda, deixando no ar até um possível encerramento da própria. Enquanto os fãs ficavam apreensivos com a notícia, nos bastidores, Grohl era personagem de uma curiosa história (que pode ser conferida nesta incrível animação The Making Of Concrete and Gold) que resultou no retorno do grupo antes do esperado. Ainda bem, pois Concrete and Gold é a prova de que a Foo Fighters tem muito o que construir.

 

 

A vida é cheia de incertezas, mas se tem algo certo nela é um ótimo álbum da banda. O novo trabalho pode não ter a mesma energia e inspiração de um Wasting Light, porém segue a linha evolutiva que Foo Fighters vem apresentando deste In Your Honor. O grupo sempre foi conhecido pelo rock agressivo e objetivo, uma mistura de punk com pop alternativo e, felizmente, vem incluindo na sua sonoridade melodias complexas e cheia de nuances, como foi no ousado Sonic Highways. Pode-se dizer que Concrete and Gold é o melhor resultado desta mudança.

 

Uma necessária mudança que trouxe o produtor Greg Kurstin a bordo, um nome de peso da música pop e que já trabalhou com Adele e Sia, ícones do estilo. Se os fãs estavam preocupados com uma amaciada da banda após o anúncio do produtor, tiveram suas desconfianças destroçadas com o primeiro e arrasador single Run. Fácil uma das melhores músicas feitas pela banda, vinda logo depois da simpática faixa introdutória T-Shirt. Outras trilhas como Make It Right (com uma discreta participação de Justin Timberlake), La Dee Da e a linda The Line completam o time que irá agradar os mais conservadores.

 

 

Sim, o disco tem um grande pé no pop. Sempre vou defender o estilo e nunca usá-lo como desmerecimento para qualquer artista. Quando bem feita, o gênero deve ser valorizado e, neste caso, é impecável em sua produção. Há alguns tropeços como a sobra Arrows e a faixa-título que poderia ser chamada de o-que-diabos-Grohl-queria-com-essa-música?. Por outro lado, há pérolas que merecem uma chance e devem ser ouvidas com cuidado, como as acústicas Dirty Water e Happy Ever After (Zero Hour) que só enriquecem o repertório da banda. O que falar de Sunday Rain? Com Paul McCartney na batera é uma bela homenagem sonora aos anos 60, e traz um breve destaque do tecladista – agora oficialmente parte da banda – Rami Jaffee.

 

Para encerrar, The Sky Is A Neighborhood me faz sorrir de orelha à orelha. Harmônica sem excluir o peso marcante do grupo, um verdadeiro hino a ser ecoado nos shows e celebrar essa aprovadíssima união entre Greg e Foo Fighters. Celebrar Concrete and Gold, uma das inesperadas surpresas da vida.

 

Tracklist:

 

01. T-Shirt
02. Run
03. Make It Right
04. The Sky Is a Neighborhood
05. La Dee Da
06. Dirty Water
07. Arrows
08. Happy Ever After (Zero Hour)
09. Sunday Rain
10. The Line
11. Concrete And Gold

 

 

Clipe: