Game of Thrones está chegando ao fim. O terreno de Westeros foi regado com sangue e suor durante seis temporadas, e agora servirá de palco para a grande conclusão da série, dividida em duas temporadas. Sendo assim, a primeira já mostrou que os roteiristas David Benioff e D.B. Weiss não estavam de brincadeira quando disseram que o sétimo ano seria o mais dinâmico de todos. Eles definitivamente pisaram no acelerador na proposta de entregar uma história ágil e impactante, sem muita enrolação. Porém essa pressa sacrificou o que Game of Thrones tem de mais importante: seus personagens.

 

 

Antes de mais nada, é bom lembrar que houve uma redução de episódios nesta temporada (e haverá na próxima) por questões financeiras. Sabiamente, a HBO encurtou o custo de três episódios para dedicar o dinheiro na criação dos efeitos visuais, ou seja, nos belos dragões de Daenerys Targaryen (Emilia Clarke). As criaturas nunca tiveram tão imponentes como agora, responsáveis por sequências de tirar o fôlego que vão deste o empolgante ataque ao exército dos Lannister – rivalizando de perto com a Batalha dos Bastardos – até o resgate tenso do “Esquadrão Suicida” além da Muralha. Uma temporada à altura dos blockbusters do cinema. Quem sabe a HBO não pensa em um novo meio de exibição para a última?

 

Contudo, se tecnicamente a temporada foi perfeita, o roteiro dela sofreu mais que Theon Greyjoy (Alfie Allen) nas mãos de Ramsay Bolton (Iwan Rheon). Aliás, o novato Euron Greyjoy (Pilou Asbæk), embora divertido, não chega aos pés do bastardo. Um dos atalhos usados para agilizar a história foram as elipses. Sim, é natural o estranhamento de ver os personagens cruzaram o continente em questão de segundos, pois vai contra o ritmo que a série estabeleceu nos últimos seis anos. Mesmo assim, não é o fim do mundo. O fim do mundo é quando abusam dessa mudança para camuflar a preguiça dos roteiristas. O principal exemplo disso é o penúltimo episódio.

 

 

O penúltimo episódio é o calcanhar de Aquiles da sétima temporada. A trama é negligenciada em diversas formas: interações fast-food, ações sem sentido dos personagens no objetivo de justificar reviravoltas, Deus ex machinas para dar e vender, além de encerrar com a pior cena de Game of Thrones até hoje: a de Daenerys com Jon Snow (Kit Harington) no barco. Não houve tempo para a Mãe dos Dragões sofrer uma perda inimaginável, pois ela precisou flertar com o Rei do Norte. Um episódio que claramente merecia ser dividido em dois ou, ao menos, adiar um certo relacionamento amoroso em prol da essência de Daenerys.

 

Vários reencontros e descobertas não passaram de batidas de cartão. A reunião dos Stark foi mais fria que Winterfell, sem falar que a trama envolvendo o trio Sansa (Sophie Turner), Arya (Maisie Williams) e Mindinho (Aidan Gillen) ficou perdida em uma intriga barata entre irmãs até ser salva pela conclusão, essa sim, digna de Game of Thrones. Vale lembrar também que Bran (Isaac Hempstead Wright) é o corvo de três olhos que vê tudo que convém ao prosseguimento da série. Dois minutos conversando com Samwell Tarly (John Bradley) foram o bastante para uma das principais revelações da história. Vai ser difícil para o Rei da Noite (Vladimir ‘Furdo’ Furdik) conquistar Westeros com o incrível soldado da conveniência lutando ao lado dos Stark.

 

 

Mas se tem um núcleo impecável, este foi dos Lannister. Tyrion (Peter Dinklage) teve sua lealdade posto à prova na guerra contra sua família, e nada me tira da cabeça que uma grande reviravolta está guardada para o personagem. Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) enfim enxergou o que Cersei (Lena Headey) tornou-se, enquanto a rainha louca (será tão louca assim?) é a única que sabe jogar o jogo dos tronos. Se a série não abraçar o conforto da previsibilidade que dominou este ano, ainda dá tempo dela estacar algumas cabeças nas ruas de Porto Real.

 

Mesmo com uma temporada cheia de tropeços e lotada de clímaces por episódio, Game of Thrones ainda se mantém de pé e cheio de força para uma promissora e épica conclusão. Uma conclusão que irá fortalecer a união entre gelo e fogo ou, quem sabe, mostrará que esses opostos são destinados a um só proposito: a destruição de ambos.

 

 

Trailer: