O diretor/roteirista Matt Reeves ganhou popularidade recentemente quando foi escolhido para dirigir a próxima aventura do Batman. Reeves, que vem de uma carreira sólida na televisão, traz uma marca autoral semelhante a diretores como David Fincher e Christopher Nolan. Seus filmes são bem planejados quadro a quadro, com personagens que nunca se rendem ao comodismo do estereótipo. Cloverfield – O Monstro e Deixe-me Entrar foram uma amostra de seu potencial, que agora está em grande fase na reinvenção da longínqua franquia Planeta dos Macacos. Depois do espetacular O Confronto, chegou a hora de encerrar a trilogia iniciada em A Origem, com o emocional Planeta dos Macacos – A Guerra.

 

 

Escrito por Reeves e Mark Bomback, o roteiro dá continuidade aos eventos anteriores, quando o macaco Koba (Toby Kebbell) foi o estopim de uma guerra contra os humanos. Mesmo caçado por soldados, César (a melhor atuação de Andy Serkis no papel) mantém sua política de paz e só parte para a violência quando seu povo é ameaçado, mostrando atos de bondade na tentativa de parar o conflito, enquanto busca um lugar seguro para viver. No entanto, a paz é um sonho distante, e a realidade dá um soco na cara de César quando o coronel, interpretado por Woody Harrelson, mata sua família. Dominado pela sede de vingança, o protagonista sai em uma jornada que irá questionar sua própria moralidade.

 

A guerra do subtítulo pode ser considerado como um conflito interior, já que em nenhum momento o filme assume uma luta grandiosa entre macacos e humanos. César enfrenta um dilema em que o coloca na linha fina entre a selvajeria e a humanidade. O que lhe define é a grande questão de A Guerra. A excelência nos efeitos visuais ajuda bastante na atuação de Serkis (não consegui saber o que era real). Sendo assim, Reeves acerta em criar um antagonista que seja um retrato distorcido de César. Um líder que já foi dominado pelo ódio. A última cena entre os dois não poderia ser mais reveladora, além de ter uma inspiração enorme em Apocalypse Now. E não é a única.

 

 

Então, seguindo como um estudo de personagem, com pouquíssimos diálogos (muito deles por sinais), Reeves transforma a série em um verdadeiro western alá Os Oito Odiados de Quentin Tarantino. A sombria e fria fotografia de Michael Seresin lembra bastante o trabalho de Robert Richardson, se não fossem os primatas encima dos cavalos andando na neve, dava para confundir os filmes. O diretor também expande o universo conhecido do clássico de 1968, com várias referências e homenagens. Confesso que fiz uma pesquisa para poder entender algumas.

 

Longe de ser o destaque principal, as cenas de ação são fantásticas. A primeira sequência na floresta impacta com uma violência fluída, enquanto a envolve em uma tensão perturbadora. Idem no clímax que ganha ares épicos, principalmente pela trilha sonora de Michael Giacchino, que sabe como ninguém mexer com os sentimentos do público através da música. Ver César correndo no meio de explosões é um ótimo exemplo de como tirar beleza do caos.

 

 

A franquia sempre funcionou como uma metáfora para críticas sociais, refletindo os problemas de sua época. Nesta última trilogia, vários temas foram abordados – e continuam como, por exemplo, a intolerância racial -, chegando a vez do militarismo. Planeta dos Macacos – A Guerra explora vários males da caixa de pandora que estão enraizados na humanidade. Uma humanidade que caminha para sua própria extinção, sem que os macacos precisem fazer alguma coisa para isso acontecer.

 

 

Trailer: