O Homem-Aranha de Sam Raimi – principalmente o segundo – foi um dos pilares, junto com X-Men – O Filme, para a deslanchada do gênero “super-herói” nos cinemas. No entanto, enquanto outros heróis estão colhendo os louros até hoje, o amigão da vizinhança andou em maus lençois nos últimos 14 anos, tendo início com um projeto ganancioso chamado Homem-Aranha 3 e finalizado por um reboot (O Espetacular Homem-Aranha) que destruiu a essência do personagem na tentativa pífia de mudar sua personalidade.

 

 

Com um futuro nada promissor nas mãos da Sony, a única saída parecia um sonho distante, um sonho que atendia pelo nome de Marvel Studios. Como nada é impossível, o sucesso da MCU fez com que a Sony fechasse uma parceria com o estúdio, e assim o sonho de ver o Homem-Aranha no mesmo mundo dos Vingadores tornou-se realidade em Capitão América – Guerra Civil. Mas ainda não era o suficiente.

 

Eis então que surge Homem-Aranha – De Volta ao Lar, primeira aventura solo do teioso após a união Sony/Marvel. A história se passa logo após os acontecimentos de Guerra Civil, com um Peter Parker (Tom Holland) ansioso em fazer parte do super grupo. De uma forma bem equilibrada e divertida, o filme mostra o amadurecimento de Peter como Homem-Aranha, enquanto ele precisa dar conta de suas obrigações pessoais. Tudo isso em um universo ao melhor estilo John Hughes.

 

 

Holland é um achado da equipe de casting. O ator entrega uma inocência e energia inédita ao herói, resgatando a essência perdida nos últimos filmes. Ele é um nerd que mal consegue falar com as garotas, mas não cai no clichê do excluído. Por ser muito jovem, um simples adolescente de 15 anos, as suas boas intenções nem sempre resultam em boas ações. Sendo assim, até aprender do que é capaz – em uma catarse emocionalmente reveladora no terceiro ato -, ele será o principal responsável por várias confusões. Chegando ao ponto de Tony Stark (Robert Downey Jr.) dar-lhe um puxão de orelha necessário para seu desenvolvimento. Aliás, Stark preenche bem o papel paterno que seria do tio Ben, sem tomar o filme para si, como os trailers sugeriram.

 

O diretor Jon Watts acerta em focar no dia a dia de Parker, intercalando com pequenas doses de ação. Há tempo suficiente para que se importe com o protagonista, entenda seus anseios, sua vulnerabilidade e veja o seu amadurecimento no clímax. Outro acerto é a atualização do universo clássico do Aranha. Parker deixa de ser fotográfo para ser vlogueiro, a tia May (Marisa Tomei) não é mais uma velhinha frágil e todos os personagens secundários sofreram mudanças conforme os tempos atuais pedem, trazendo uma maior diversidade e representatividade.

 

 

Infelizmente as cenas de ação não trazem a mesma competência. Com grande parte delas acontecendo a noite, em uma tentativa de disfarçar a artificialidade dos efeitos visuais, as cenas são confusas e esquecíveis. Se serve de consolo, Watts não parece interessado em criar cenas épicas de ação, embora tenha suas tentativas falhas. O diretor está mais preocupado com o arco dramático de Peter, e o vilão Abutre (Michael Keaton) ajuda bastante nesse objetivo. A cena em que os dois conversam no carro é mais memorável do que qualquer sequência grandiosa de ação.

 

Homem-Aranha – De Volta ao Lar é um recomeço eficiente do herói nos cinemas. Atualiza o personagem na nova geração, entrega uma história divertida digna da Sessão da Tarde e tem pontencial para se tornar tão importante quanto foram os filmes de Sam Raimi. Seja bem-vindo ao lar, Homem-Aranha.

 

 

Trailer: