Aclamada por público e crítica, a primeira temporada de Sense8, conteúdo original da Netflix, marcou o retorno das irmãs Wachowski ao sucesso. Depois de apresentar os sensates ao mundo, chegou a hora de levar esse conceito a outro nível. Assim sendo, as irmãs Wachowski, nessa segunda temporada, abrangem a série através de uma trama complexa, porém que nunca se sobressai ao discurso de empatia e diversidade tão importante nos dias de hoje.

 

 

Começando logo após o episódio especial de fim de ano, o roteiro escrito pelas irmãs junto com J. Michael Straczynski, tenta explicar melhor o conceito dos sensates, mostrando a existência de outros grupos e uma corporação que deseja o controle total desse “dom”.

 

Mas porque “tenta”? Embora esse núcleo pareça elaborado, conforme a temporada vai progredindo, a sensação é que as irmãs Wachowski não estão muito preocupadas em explicar nada disso. Quanto mais informações surgem, mais a trama principal fica desinteressante e confusa. Os melhores momentos dessa temporada não se dá quando o grupo está em guerra com o Whispers (Terrence Mann) – apesar de ter uma cena marcante ali e acolá -, e sim nas histórias individuais. Desta vez, com poucas cenas de ação, algumas vezes gratuitas, mas que continuam com a mesma excelência de coreografia e edição.

 

 

Um ótimo exemplo é o último episódio. O roteiro dedica tempo para explicar o plano de Sun (Doona Bae) na tentativa de pegar o irmão. Toda a sequência é bem construída, sabendo elevar a tensão em pontos cruciais. Em contraponto, o ato final contra o Whispers é desconexo, apressado e não faz o menor sentido quando se reflete um pouco sobre o mesmo. A continuidade de tempo e lógica mandaram um abraço.

 

No entanto, Sense8 continua excepcional quando ergue suas bandeiras. Sim, há personagens que são totalmente deixados de lado e empurrados com alguma encheção de linguiça: Wolfgang (Max Riemelt) e sua fantasia sexual sensate e Riley (Tuppence Middleton) ofuscada pelo sofrimento sem fim de Will (Brian J. Smith). Outros são salvos por representar algo a mais do que a sonolenta história de cada um, como Lito (Miguel Ángel Silvestre), Kala (Tina Desai) e Capheus (Toby Onwumere longe de ter o mesmo carisma de Aml Ameen).

 

 

Com esses três personagens, a série discute problemas como desigualdade social (Capheus), intolerância religiosa (Kala) e homofobia (Lito). A vibrante sequência na parada gay, incluindo o emocionante discurso de Lito, é mais relevante do que qualquer conspiração contra os sensates. São momentos assim que as irmãs Wachowski mostram inspiração na escrita. Não é a toa que Nomi (Jamie Clayton) se destaca em diversas partes, quando no casamento da irmã, em que o pai da moça enfim assume a mudança de gênero da filha. Sem dúvidas, o ponto alto dessa segunda temporada.

 

Em seu segundo ano, Sense8 enfatiza seu discurso em prol da empatia. Em tempos que o ódio vem ganhando cada vez mais os holofotes, nunca é demais lembrar que apesar das diferenças, nossos sentimentos nos tornam um só.

 

 

Trailer: