É interessante ver a trajetória de certos artistas, seja em qual área for. Diretores como Sam Raimi e Peter Jackson, por exemplo, começaram no terror trash até chegar no comando de blockbusters como Homem-Aranha e O Senhor dos Anéis. Não é uma questão de evolução, pois não considero um gênero melhor que o outro, mas apenas uma curiosidade sobre as mudanças que artistas diversificados buscam.

 

Quando passamos para a música, o que não falta são músicos que estabelecerem seus nomes seguindo uma tendência, e depois ficaram livres para explorar todo o seu potencial. Recentemente assim foi com Lady Gaga e, agora, Harry Styles.

 

Com o álbum homônimo de estréia, ele se distancia como pode de sua persona construída na banda teen One Direction. Aqui não há hits fáceis, efeitos na voz ou letras vazias, e sim uma mudança que irá surpreender até quem nunca gostou do cantor. Abraçando sem receio seu lado romântico, Styles investe em baladas intimistas com uma produção que destaca sua voz rodeada de sons melódicos, como em Sign Of The TimesSweet Creature.

 

Indo na contramão da música pop, Styles mergulha na nostalgia, resgatando o som dos anos 50 e 60. Meet Me In The Hallway lembra Simon & Garfunkel, enquanto Carolina é nitidamente The Beatles e Only Angel remete a sensualidade dos The Rolling Stones. Porém, sem se prender no passado, Kiwi traz o melhor da garage rock de Jack White. Influências que fazem deste trabalho uma excelente estréia de um artista ainda jovem, mas com uma maturidade musical promissora.

 

Tracklist:

 

01. Meet Me In The Hallway
02. Sign Of The Times
03. Carolina
04. Two Ghosts
05. Sweet Creature
06. Only Angel
07. Kiwi
08. Ever Since New York
09. Woman
10. From The Dining Table

 

 


De um garoto para outro, o canadense Shawn Mendes enfim encontrou o sucesso em seu segundo álbum Illuminate.

 

Enquanto Harry Styles usou as influências na criação de sua própria sonoridade, Mendes não consegue sair da sombra de Ed Sheeran e James Bay. Ouça como Treat You Better é idêntica a qualquer trabalho de Sheeran.

 

No entanto, essa semelhança sonora não quer dizer que Illuminate seja uma cópia descartável, seguir tendências da indústria pop é normal, o problema é não ter algo a mais e se contentar com o sucesso temporário. Mendes tem potencial, e como já deixei claro, esse é o típico trabalho para marcar o seu nome e, assim, ter mais liberdade em projetos futuros.

 

Sobre o álbum em si, contém algumas pérolas como Mercy, Patience e, principalmente, Bad Reputation. Mais uma prova que valerá a pena esperar por sua evolução.

 

Tracklist:

 

01. Ruin
02. Mercy
03. Treat You Better
04. Three Empty Words
05. Don’t Be a Fool
06. Like This
07. No Promises
08. Lights On
09. Honest
10. Patience
11. Bad Reputation
12. Understand
13. Hold On
14. Roses
15. Mercy (Acoustic)

 

 


Agora chegou a hora de deixar as crianças de lado, e ter conversa de gente grande. Brincadeiras à parte, Richie Kotzen é simplesmente extraordinário.

 

Dono de uma carreira diversificada, passando pelo glam metal do Poison, o hard rock romântico do Mr. Big e o experimentalismo do The Winery Dogs, Kotzen não tem medo de mudar, porque sabe que no final do dia, voltará ao seu habitat natural.

 

Seu novo ábum solo, Salting Earth, em que é responsável por todas as vozes e instrumentos, é uma viagem prazerosa pela soul music e rockEnd Of Earth, ThunderMake It Easy são pontos turísticos obrigatórios para qualquer viajante. Além do talento com diversos instrumentos e ótimo compositor, Kotzen tem uma voz melódica única – e agora, mais do que nunca, me remete ao saudoso Chris Cornell -, que se destaca nas bluseiras This Is Life e Cannon Ball.

 

Um álbum para degustar o prazer de fazer música.

 

Tracklist:

 

01. End Of Earth
02. Thunder
03. Divine Power
04. I’ve Got You
05. My Rock
06. This Is Life
07. Make It Easy
08. Meds
09. Cannon Ball
10. Grammy