Se passaram quatro temporadas deste que Frank Underwood (Kevin Spacey) estrangulou um cão e nos fez cúmplices de sua jornada até a presidência dos Estados Unidos. House of Cards atingiu o auge na quarta temporada, porém a qualidade ficou ameaçada após a perda do criador Beau Willimon. Será que os substitutos Melissa James Gibson e Frank Pugliese, que trabalham na produção deste o início, iriam honrar o legado? Bom, a quinta temporada levanta muitas dúvidas ao futuro da série, pois a dupla fez mudanças que se por um lado direciona Frank para um caminho no mínimo interessante, enfraquece Claire Underwood (Robin Wright) em prol do presidente.

 

 

A trama continua a disputa eleitoral contra Will Conway (Joel Kinnaman), que domina grande parte da temporada, mantendo as manipulações políticas que os fãs adoram. O terror como manobra política para ganhar as eleições, prometido na última season finale, aproxima a série da realidade, que continua abordando temas relevantes como invasão de privacidade, o caso Snowden, terrorismo e política de imigrantes.

 

Frank Underwood ganha ares de Deus nessa temporada, a onipresença do personagem é ao mesmo tempo surreal e divertida. Os discursos e dialógos sarcásticos com o público estão entre os melhores momentos: o já clássico discurso no congresso invocando a guerra ao terrorismo e a quebra da quarta parede durante dois importantes eventos (você saberá quais são) mostram o porquê da série ser tão essencial para não só entender de política, mas de natureza humana. Pelo visto não é só o povo norte-americano que precisa de um presidente como Frank Underwood.

 

 

Por outro lado, Claire Underwood regrediu na ascensão da personagem. Durante os quatros anos, a personagem cresceu de uma forma que igualou-se a Frank, tendo acesso a quebra da quarta parede. No entanto, neste novo capítulo, a vice-presidente é tratada como uma simples marionete. As ações de Claire geralmente não são de vontade própria e sim influencidas por terceiros. Sim, a relação do casal Underwood ganha novos entornos promissores, pois apesar de Frank ter reconhecido a importância da esposa ao seu lado, ainda não aceita que ela tenha mais poder do que ele. Quando Claire assume a presidência temporária, por exemplo, é curioso perceber a incomodação de Frank com a situação.

 

É verdade que a série adora retratar questões da realidade, porém não abandona seu lado fictício. Por isso, não há problema nenhum que House of Cards adote uma roupagem alá O Poderoso Chefão para lidar com os antagonistas (lembrando que antagonistas não necessariamente significa vilões, mas os obstáculos que impedem o protagonista de atingir seus objetivos, não importando o quão desprezível seja).

 

 

Por falar neles, Tom Hammerschmidt (Boris McGiver) segue na busca para destruir os Underwood, sendo o personagem secundário mais relevante, pois a maioria se contenta em seguir o rumo dos acontecimentos, sem falar do sonolento Thomas Yates (Paul Sparks) que só enfraquece o núcleo de Claire. Contudo, Doug Stamper (Michael Kelly) está longe de ser descartável, e continua com o papel de terceiro “protagonista” da série. Enquanto isso, personagens novos como Jane Davis (Patricia Clarkson) e Mark Usher (Campbell Scott) foram adições importantes, embora o papel de Clarkson ser deveras confuso. Nunca fica claro o que ela realmente faz para viver, e porque é tão influenciadora.

 

House of Cards balança por falta de equilíbrio entre Frank e Claire, em meio a uma trama que só diz a que veio em seus últimos episódios. Que esses problemas sejam resolvidos na próxima temporada, para que o reinado Underwood siga firme por muitos anos… na ficção, é claro.

 

 

Trailer: