One More Light, novo álbum da banda Linkin Park, veio para dividir opiniões, ou melhor, para ser odiado pela maioria dos fãs. Mas será que o sétimo trabalho de estúdio merece tanta revolta? Será que não é permitido uma banda de rock se aventurar em outros ares? Claro que é. O problema é quando a mudança destrói a essência e a identidade dela.

 

 

Quando os primeiros singles saíram, as açucaradas HeavyGood Goodbye, demorei a acreditar que eram as músicas novas da Linkin Park, e não um projeto solo de Chester Bennington. Se fosse um trabalho à parte do vocalista, talvez o escutaria com outros ouvidos. É triste ver uma banda com dois guitarristas, um baterista, um baixista, e que vem de um disco agressivo como The Hunting Party, compor 10 faixas que são basicamente um pop eletrônico genérico. Talking To Myself (a música com maior presença da “banda”) e Halfway Right são tão forçadas que dá vergonha alheia. Essa necessidade de se adequar ao mercado, sem uma orientação bem definida, acaba resultando em trabalhos rasos. Assim foi com Bon Jovi no What About Now (e olha que os caras são macacos velhos no pop rock), Maroon 5 que aos poucos foi virando Adam Levine Band e James Blunt que flertou com o erro em seu último álbum.

 

Sempre há um artista que estoura nas rádios e depois vem uma enxurrada de cópias para aproveitar as sobras do sucesso, geralmente, com hits que grudam na cabeça, mas com o tempo tornam-se esquecíveis. One More Light soa como uma cópia esquecível. Por exemplo, Nobody Can Save Me e Sorry For Now poderiam ser atribuídas a qualquer outra banda, trazendo clichês como um efeito distorcido de voz que virou regra no mercado, e de tão irritante, passou da hora de abolirem isso. No entanto, o refrão de Nobody Can Save é um dos mais inspirados.

 

 

O pior é saber que Linkin Park pode fazer um álbum pop de qualidade, mas em vez de se espelhar em bons exemplos, se perdeu na própria ganância. Para sentir a diferença, ouça os últimos lançamentos de Lady Gaga, Bruno Mars ou Ed Sheeran para ver que até dentro do estilo, One More Light é abaixo do esperado. Battle Symphony traz o típico refrão que me faz querer usar uma furadeira para tirar da cabeça, mas que fica até aceitável perto da letra de Invisible.

 

As duas últimas, a faixa-título e Sharp Edges, são um respiro de qualidade, e mostram o caminho que a banda poderia ter investido. Um caminho sem tentar emular artistas irrelevantes, um caminho sem auto-tune exagerado, um caminho de autoconfiança. Ou seja, Um caminho de luz.

 

Tracklist:

 

01. Nobody Can Save Me
02. Good Goodbye (feat. Pusha T & Stormzy)
03. Talking To Myself
04. Battle Symphony
05. Invisible
06. Heavy (feat. Kiiara)
07. Sorry For Now
08. Halfway Right
09. One More Light
10. Sharp Edges

 

 

Clipe: