Depois de um marasmo criativo que tomou conta de M. Night Shyamalan, parece que o diretor/roteirista vem, aos poucos, resgatando algum vestígio do glorioso passado.

 

Embora A Visita não tenha sido o tão esperado retorno triunfal, Shyamalan mostrou que ainda tem boas ideias. Fragmentado, seu novo suspense, não foge das características do diretor, principalmente pelo batido plot twist. A diferença é que a surpresa agora está mais relacionada às expectativas dos fãs (nostalgia também) do que ao filme em si.

 

A trama gira em torno do personagem de James McAvoy que sofre de transtorno dissociativo de identidade (tema que foi muito melhor aproveitado em Identidade). O problema começa quando uma de suas personalidades resolve sequestrar três garotas para um fim que será desenvolvido no decorrer do filme. Até lá, a motivação do antagonista é interessante o bastante para prender a atenção, em uma bem-vinda mistura de realidade com um certo gênero bem popular atualmente.

 

Contudo, a história de Casey Cooke (Anya Taylor-Joy, do perturbador A Bruxa), uma das sequestradas, é sofrível. O suspense prolongado do diretor torna a personagem ainda mais apática com tudo que está acontecendo – sério que ela demerou séculos para decidir sair do carro? -, fora o absurdo de Shyamalan usar o abuso infantil como algo positivo na vida de alguém. Por essas e outras que “o novo Hitchcock” está longe de ser considerado o velho Shyalaman.

 


O sonho de ver o sucesso das adaptações de games ainda persiste, mesmo que Warcraft – O Encontro de Dois Mundos e Assassin’s Creed tenham sido dois pênaltis desperdiçados. Pelo menos Warcraft bateu na trave, enquanto Creed mandou a bola para estratosfera.

 

Imagine um artista de formação clássica sendo contratado para fazer o próximo hit do carnaval baiano. Não que ele não seja capaz da façanha, ou que o axé seja um estilo inferior, porém são duas praias completamente diferentes. Justin Kurzel é um diretor autoral, de filmes artísticos como Macbeth – Ambição e Guerra, seus filmes são focados nos diálogos e conflitos interiores, longe de qualquer blockbuster frenético. Ou seja, não era a escolha ideal para a franquia da Ubisoft.

 

A premissa da trama parece ser simples: Cal Lynch (Michael Fassbender) escapa da pena de morte para ajudar uma organização secreta que está em busca de um objeto sagrado e poderoso. Para isso, Lynch deve acessar as memórias de seu antepassado Aguilar, na Espanha em plena época da Inquisição, para poder localizar o tal objeto. Tudo seria lindo se o filme tivesse foco, ou o objeto em questão tivesse relevância, as motivações dos personagens não fossem confusas e o ritmo e a continuidade tivessem, no mínimo, seguido a cartilha.

 

Os personagens parecem robôs discursando linhas de dialógo pré-programadas, um desperdício tremendo de um elenco que conta com Marion Cotillard, Jeremy Irons e Fassbender. Os cenários são artificiais, principalmente da antiga Espanha. Na verdade, o roteiro enfraquece a viagem de Lynch com cenas desinteressantes de ação, cheias de cortes e coreografias sem fluidez. Pior, a história se passa 80% no mundo real. Apostando em relações rasas e intrigas desconexas. Só para ter uma ideia, Lynch entra para uma revolução dos assassinos com tamanha paixão pela causa, mesmo só tendo trocado algumas palavras com os “colegas” de profissão.

 

Tomara que Hollywood dê um novo salto de fé para futuras adaptações de games.

 


O diretor Robert Zemeckis sempre será uma atração imperdível para qualquer amante do cinema. Dono de clássicos atemporais como De Volta Para o Futuro, Forrest Gump – O Contador de Histórias e Contato, entre vários outros, Zemeckis é um apaixonado por inovações técnicas, e adora experimentar novas maneiras de contar histórias.

 

Aliados, escrito por Steven Knight, é um competente entretenimento que o diretor é mestre em fazer, mesmo que não tenha a excelência dos velhos tempos. No melhor estilo Sr. e Sra. Smith dos anos 40, a trama acompanha um casal de espiões que apaixonam-se e tentam levar uma vida normal em plena Segunda Guerra Mundial.

 

O ponto alto do filme são as cenas de ação. Empolgantes e criativas, deixam aquele gostinho de quero mais, e a retratação da época enquanto desenvolve a trama principal é eficiente, embora tenha uma certa artificialidade nos efeitos visuais.

 

No entanto, o suspense psicológico abordado poderia ter sido melhor trabalhado. Quando Max Vatan (Brad Pitt) é encarregado de descobrir se sua mulher (Marion Cotillard) é uma agente dupla, a paronóia que essa situação proporcionaria não é levada ao limite, focando apenas no contexto histórico da época. Algo que não ajuda a já atuação automática de Pitt, que no impactante clímax, não entrega a emoção esperada. Uma emoção que é compensada pela ágil e técnica direção de Zemeckis.

 


Se tem algo que J.A. Bayona sabe é emocionar. O Impossível é um dos filmes que ninjas cortadores de cebola sentaram do meu lado para assistir, e também choraram. Seguindo na mesma linha de O Labirinto do Fauno e Onde Vivem Os Monstros, em que realidade e fantasia misturam-se para compreender os sentimentos de uma criança, Sete Minutos Depois da Meia-Noite honra o legado.

 

A história é sobre o menino Conor (Lewis MacDougall) que se vê a mercê de seus medos ao lidar com a doença da mãe (Felicity Jones), a possibilidade de morar com a avó controladora (Sigourney Weaver) e não contar sempre com o apoio do pai (Toby Kebbell) que mora distante. Com o futuro incerto, Conor recebe todas as noites uma estranha criatura que lhe conta diversas histórias, através da inconfundível voz de Liam Neeson.

 

A princípio, as histórias, que ganham vida através de belíssimas animações, não fazem sentido, não há uma clara lição de moral, deixando Conor ainda mais frustrado. Porém, sem jogar na cara do público ou sensacionalizar o tema, o roteirista (também escritor do livro original) Patrick Ness desenvolve a história de uma maneira sensível e emocionante, que seria melodramática se não fosse pela sutileza de Bayona. Quando menos esperei, já estava sofrendo e gritando com Conor em sua tempestade de sentimentos.

 

Sete Minutos Depois da Meia-Noite é um filme sobre luto e amadurecimento para qualquer idade. Um conto sobre os monstros da vida, que além de expor as nossas fraquezas, também nos dá força para enfrentá-las.