De uns anos pra cá, Ridley Scott decidiu reviver a franquia Alien para expandir o universo criado à 38 anos por ele. Mas será realmente que a série precisava disso? Prometheus definiu uma linha filosófica inédita na franquia, porém que, através de uma história cheia de falhas (personagens inverossímeis, por exemplo), levantou mais questionamentos do que respostas. Um problema que poderia ter sido consertado na sua continuação direta, Alien – Covenant, além de resgatar o tão esperado horror do clássico de 1979. Poderia.

 

 

Uma coisa é certa: os aliens só existem graças a estupidez humana. A falta de raciocínio lógico dos personagens (e dos roteiristas John Logan e Dante Harper) facilita bastante a vida dos predadores gosmentos. Se você achou que cientistas brincando com cobrinhas alienígenas ou correndo de uma “roda” em linha reta seria o bastante de atrapalhadas vindo de Scott, Covenant é a pá de cal na esperança de dias melhores.

 

Após receber uma mensagem misteriosa, a tripulação da Covenant, uma nave colonizadora, resolve investigar um planeta promissor para vida humana. Ainda recuperando-se de um acidente recente, o capitão Oram (Billy Crudup) decide checar o local, embora receba alguma resistência de Daniels (Katherine Waterston). No entanto, mesmo sabendo que o lugar tem oxigênio, é inconcebível explorar um território desconhecido sem nenhum tipo de proteção. Se tivesse um vírus no ar, morreria todos. Adivinha qual foi a opção escolhida? Ir com trajes simples e xeretar tudo pelo caminho. Juro que esperei alguém beber a água do rio.

 

 

O roteiro preguiçoso ignora absurdos como quando os personagens esquecem facilmente de um ente querido que acabou de morrer, ou, no melhor estilo video cassetada, uma oficial ganha o prêmio de pior mira do mundo. Parece que nada é mais importante do que Scott brincar de existencialista da maneira mais superficial possível, devido a falta de foco do diretor. Prepara-se para uma cena entediante de Michael Fassbender tocando flauta.

 

Covenant tenta ser várias coisas ao mesmo tempo, sem conseguir ser nenhuma. As discussões “filosóficas” emperram o ritmo, não levando a lugar nenhum (como levar um filme a sério com Danny McBride sendo piloto de uma nave?). Os personagens, novamente, são descartáveis, apenas Fassbender com os andróides Walter e David tem um propósito definido (Waterston também não decepciona). O horror… ah o horror. O clima claustrofóbico e o suspense angustiante são passado. O icônico monstro se resume às cenas de ação, que são genéricas e confusas. Em compensação, a violência gore está deliciosamente bem servida.

 

 

Na verdade, o alien só aparece por uma questão de marketing. Sua aparência está longe de ser real e assustadora, prejudicado pela artificialidade de um trabalho de efeito visual apressado. Ainda soa patético quando o mesmo assume David como seu criador, erguendo as mãozinhas pronto para dançar um axé. Os cenários e o universo expandido, pontos positivos de Prometheus, não apresentam nada de novo. Seria melhor que o diretor aprendesse com seus projetos anteriores, como Perdido em Marte e Êxodo – Deuses e Reis, e focasse apenas em um tema. Projetos ambiciosos, ultimamente, estão sendo um tiro no pé.

 

Alien – Covenant é o esforço de Ridley Scott em cavar a cova da série. Só espero que o próximo (sim, terá mais) não seja o enterro. Se tem um lado positivo, é que Scott está bastante ocupado para arruinar Blade Runner.

 

 

Trailer: