Lá se foram sete temporadas de The Walking Dead, junto com o esforço dos produtores em testar a paciência dos fãs e a encheção de linguiça que insiste em diminuir a qualidade da obra original. Após Greg Nicotero tomar as rédeas desta “novela”, com uma maior fidelidade ao trabalho de Robert Kirkman, esperanças ressurgiram. Porém, arcos repetitivos, personagens desinteressantes e falsos suspenses continuaram a prejudicar o ritmo da série. Principalmente na última temporada que, ao menos, apresentou um personagem forte o bastante para mexer com as estruturas de Rick (Andrew Lincoln) e sua trupe: o imprevisível Negan de Jeffrey Dean Morgan.

 

 

O primeiro episódio, corrigindo o cliffhanger covarde da sexta temporada, é um dos melhores da série. Morgan domina a tela com seu taco de baseball, apelidada carinhosamente de Lucille, enquanto destroça dois personagens importantes. Um momento digno de Game Of Thrones. Com este início impactante, não sobrou dúvidas quais seriam os personagens certos para os roteiristas trabalharem e, assim, prender o público através de grandes atuações. Negan e Rick era química explosiva a ser explorada nesta temporada. Mas foi isso que os roteiristas fizeram? Claro que não.

 

A maioria dos episódios são cansativos e, como qualquer novela, daria para resumir só os pontos importantes para quem quisesse assistir a season finale. Por causa da obsessão inexplicável em prolongar a série, e a audiência também – esta temporada teve os piores números -, os produtores lançam episódios inteiros sem relevância, deixando a promessa de dias melhores.

 

 

Nesta caminhada moribunda, a série insiste em contar tramas de personagens que: (1) se morressem ninguém ligaria; (2) repetem as mesmas histórias de perdas, auto-conhecimento e redenção; (3) aparecerem quando conveniente; (4) passaram da hora de bater cartão no céu. Afinal, é compreensível em uma série que tem personagens como Negan, Rick e, agora, o carismático Ezekiel (Khary Payton), alguém decidir gastar horas com tramas adolescentes, mais falsos suspenses – a Michonne (Danai Gurira) é a vítima da vez – e, porque não, meses para ver se Carol (Melissa McBride) e Morgan (Lennie James) finalmente fazem alguma coisa. Já que Daryl (Norman Reedus) não faz nada mesmo.

 

No entanto, não só de tragédias vive Walking Dead. Os arcos narrativos de Dwight (Austin Amelio), Dr. Eugene (Josh McDermitt) e Maggie (Lauren Cohan) são consistentes, além da relação entre Negan e Rick que rende cenas memoráveis. O passeio em Alexandria, com direito ao comentário pornográfico de Negan para Rick, e a excursão do antagonista com Carl (Chandler Riggs) no Santuário. Ou seja, Negan pode ser o pesadelo dos mocinhos, mas é a salvação da série.

 

 

Mais uma prova de como os produtores brincam com a boa vontade do público é a season finale. Um episódio que a todo momento instiga o público para um clímax épico – que realmente acontece -, mas até lá emperra o ritmo com um melodrama bobo envolvendo Sasha (Sonequa Martin-Green) que, em outro episódio, se viu envolvida com Rosita (Christian Serratos), a personagem chata da temporada. Chega o absurdo dela chamar Sasha para ajudá-la em uma tarefa, mas passa o percurso inteiro desfazendo da companheira. É a novela de Nicotero mandando um abraço.

 

O que prometia ser a volta por cima de The Walking Dead, acabou sendo mais uma decepção. Agora fica o desafio: como enrolar uma nova temporada com uma guerra em curso? Ou será que chegou o momento da série se levantar dos mortos? Se eu não tivesse esperança, não seria fã.

 

 

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