De personagens desconhecidos do grande público para um dos maiores sucessos de bilheteria e crítica da Marvel Studios, Guardiões da Galáxia tinha uma missão ingrata de suprir as expectativas altas dos fãs nesta continuação. Para não correr riscos, o diretor/roteirista/DJ James Gunn retorna e dá o play no humor frenético do primeiro longa, além de tocar uma faixa emotiva raramente vista na MCU.

 

 

Gunn não perde tempo com enrolações, e já inicia – após uma introdução misteriosa nos anos 80 – Guardiões da Galáxia Vol. 2 com um plano-sequência fantástico que insinua uma cena épica de ação, enquanto destaca Baby Groot (Vin Diesel) dançando Mr. Blue Sky. Nesta parte fica claro como a música, mais uma vez, é importante em Guardiões. Em nenhum momento soa gratuita como em Esquadrão Suicida, por exemplo. A dobradinha Gunn e Tyler Bates torna cada instante memorável. A trilha sonora ficará um bom tempo na playlist de muita gente, se não for inteira, Fox On The Run, The Chain, My Sweet Lord e a inédita Guardians Inferno com certeza ficarão.

 

Vol. 2 é o clássico feel good movie. Fora o excelente timing cômico do elenco, principalmente Dave Bautista que rouba as cenas com o Drax, Gunn ainda consegue a façanha de por piadas “adultas” em uma produção da Disney. Sim, há o conhecido exagero de piadas, sabotando várias cenas que deveriam ser dramáticas, tudo em prol do selo “Sessão da Tarde” da Marvel. Não há problema nenhum em se levar a sério algumas vezes, até para o próprio humor não parecer forçado, como na primeira vez que Gamora (Zoe Saldana) vê sua irmã Nebula (Karen Gillan) e Star-Lord (Chris Pratt) estraga o clima com uma piadinha fora de hora.

 

 

As cenas de ação estão mais inventivas do que nunca. Inseridas em cenários surreias e coloridos – a equipe de design dá uma aula de criatividade -, as cenas trazem perseguições no melhor estilo video-game, um show de armadilhas de Rocket (Bradley Cooper) e, claro, a inspirada sequência de fuga protagonizada por Yondu (Michael Rooker). Por falar em Yondu, o personagem tem o melhor arco dramático, entregando uma performance emocionante de Rooker. A pequena participação de Sylvester Stallone como Stakar Ogord valoriza ainda mais o crescimento do personagem.

 

Em um equilíbrio perfeito, cada personagem tem seu próprio conflito a ser explorado: Drax e o seu sentimento por Mantis (Pom Klementieff); Gamora e a relação pertubada com Nebula; o orgulho de Rocket; a inocência de Groot; a redenção de Yondu; e o motor da história, o encontro de Peter Quill com o seu pai. Interpretado por Kurt Russell, Ego expande o universo cósmico da Marvel e leva Star-Lord a outro nível de poder. Contar mais sobre a história de cada um é só estragar as surpresas que o filme guarda, pois graças à ótima campanha de marketing, nada foi revelado previamente.

 

 

Guardiões da Galáxia Vol. 2 supera o seu antecessor mantendo tudo que deu certo e adicionando uma profundidade na relação dos personagens. Além das risadas, as lágrimas também estarão garantidas neste volume. Agora, antes de voltar esta fita com uma caneta, já estou na espera pela próxima.

 

 

Trailer: