A Disney viu uma ótima oportunidade de ganhar rios de dinheiro com os remakes em live-action de suas animações clássicas. Infelizmente, as novas versões não estão honrando a qualidade dos originais, destacando-se mais pelo visual do que pelo conteúdo. O clássico da vez é nada mais nada menos do que A Bela e a Fera, uma animação considerada um marco do Cinema e indicada, na época, por Melhor Filme no Oscar. Com todos os méritos.

 

 

Praticamente repetindo a história do original, o roteiro de Stephen Chbosky (isso mesmo, o escritor de As Vantagens de Ser Invisível) e Evan Spiliotopoulos adiciona algumas informações a mais, como novos números musicais e mais peso dramático no passado de Bela (Emma Watson) e seu pai Maurice (Kevin Kline). Além de ficar martelando mil vezes que Bela é a escolhida para quebrar a maldição do príncipe. Na primeira cena da moça, qualquer necessidade de explicação é destruída.

 

Porém o que incomoda mesmo é o desequilíbrio nas atuações. Os personagens humanos destacam-se, entre eles, um Gastão (Luke Evans) divertidamente egoísta e narcisista ao lado de seu companheiro Lefou (Josh Gad), que aqui nutre uma paixão pelo amigo, e a carismática e independente Bela de Watson. Já tinha ficado feliz com a escalação da atriz, que prova a cada segundo em tela ter sido a escolha perfeita para o papel.

 

 

Na outra porta do castelo, os personagens animados não encantam. Através de efeitos visuais realistas, o problema de Mogli – O Menino Lobo é repetido com os objetos da casa, anulando totalmente as expressões dos personagens. Salva-se apenas o inspirado trabalho de dublagem de Ewan McGregor como Lumière. Diferente da Fera de Dan Stevens, que tem um visual artificial e sem vida. O personagem provoca uma estranheza durante o filme todo, sendo amenizada nas cenas escuras. Por isso que o clímax funciona tão bem, entregando o final épico e emocionante que a história merece.

 

Não é surpresa que os efeitos visuais não encham os olhos, pois o diretor Bill Condon é o culpado por A Saga Crepúsculo – Amanhecer, e lá se pode encontrar uma das maiores bizarrices já feitas com CGI. Renesmee é garantia de pesadelos. Além disso, Condon entrega apenas uma direção burocrática que é consertada pela edição dinâmica de Virginia Katz e as coreografias cheias de vida de Anthony Van Laast. Be Our Guest e Gaston (Evans roubando as cenas pra variar) são dois ótimos exemplos de acertos da adaptação. A clássica dança no salão não chega aos pés do original, mas por toda a magia que envolve a cena, ainda é forte o bastante para arrancar lágrimas.

 

 

Sem dúvidas A Bela e a Fera vai garantir um enchimento meteórico na carteira da Disney. Uma adaptação fiel e agradável, mas que serve apenas como uma oportunidade para conhecer ou relembrar o original, nada mais do que isso. Só tomara que com O Rei Leão as ambições sejam maiores.

 

 

Trailer: