Seguindo a tendência lançada pela Marvel Studios, depois adotada pela Warner Bros e paquerada por M. Night Shyamalan, a Legendary Pictures resolveu assumir o seu próprio universo de monstros, bem maiores dos da Universal. Filmes como Círculo de Fogo, A Grande Muralha e Godzilla agora fazem parte do mesmo mundo, e para aumentar o catálogo, nada melhor do que revisitar um clássico em Kong – A Ilha da Caveira. Além de ser uma preparação de terreno para o duelo do século que será entre King Kong e Godzilla. Melhor que isso, só se tivesse uns Jaegers no meio.

 

 

Diferente do Godzilla de Gareth Edwards, que investiu em um suspense entediante, Kong – A Ilha da Caveira revela o seu protagonista logo no início, deixando claro quem é a atração principal do espetáculo. Espetáculo é o adjetivo perfeito para definir o filme de Jordan Vogt-Roberts, que escrito por seis mãos (Dan Gilroy, responsável por O Abutre, é dono de um par), traz um visual digno de figurar em uma galeria de arte. Larry Fong inspirou-se em Apocalypse Now para definir o tom de sua fotografia degradê, e com uma direção inspirada, o resultado são planos memoráveis como os helicoptéros indo na direção de Kong, enquanto o sol brilha no fundo; ou quando o macaco encara Samuel L. Jackson entre chamas incandescentes.

 

A equipe de design também deu um show na criação dos monstros. Independente da duração no filme, todos são marcantes. Tanto os lagartos gigantes, quanto, claro, o protagonista. Este é o maior King Kong já feito para o cinema, e sua grandeza não está apenas na escala, mas em sua força e heroísmo. Porém, a fraqueza por mulheres ainda continua a mesma.

 

 

O visual não é o único atrativo de Kong, a direção de Vogt-Roberts nas cenas de ação lembra bastante o auge de Zack Snyder. Cada sequência é bem planejada, embora a imersão seja prejudicada pelo capricho estético do diretor, que surge quando se vê uma metralhadora em primeira pessoa ou uma demonstração ninja em meio à fumaça verde. As lutas, principalmente a primeira com os helicópteros e depois no clímax, são de tirar o fôlego e merecem a maior tela possível para assisti-las.

 

Contudo, nem tudo são flores na selva de Kong. A edição peca por quebras repentinas na passagem de cenas. Ver um personagem entrando no elevador ou descendo uma escada para chegar do ponto A ao B, mesmo sem nenhuma relevância na cena, entrega um senso de tempo e espaço necessário para uma fluída continuidade. Sendo assim, é estranho ver Kong caído, desgastado, e na próxima cena que aparece, já está a todo vapor metendo porrada. Um simples plano dele mexendo os dedos resolveria.

 

 

Outro ponto fraco são os personagens. O soldados tem uma relação relativamente satisfatória, muito por ser calcada no humor, porém a trupe liderada por James Conrad (Tom Hiddleston) poderia se perder na selva que ninguém perceberia. Hiddleston e Brie Larson, as principais estrelas junto com Jackson, Goodman e Reilly, não podem fazer muito com seus personagens, sendo meras desculpas para mover a história. Não há um arco definido para cada um, apenas momentos esporádicos de destaque. Sem dúvidas, Kong e Jackson abraçam os papéis de protagonista e antagonista, respectivamente, que um bom roteiro pede.

 

Kong – A Ilha da Caveira é o típico filme pipoca que garante a diversão do público, mas não vai muito além disso. Bom mesmo é o futuro promissor que este universo promete, e depois de ver as cenas pós-créditos, é impossível não ficar monstruosamente ansioso.

 

 

Trailer: