Em muitos momentos parece que a Warner Bros. e a DC Comics não sabem ao certo o que fazer com seus personagens no cinema, mas quando se trata de LEGO Batman é completamente diferente. Numa aventura recheada de humor frenético, essa animação, derivada de Uma Aventura Lego, é tudo aquilo de melhor que se pode tirar de um universo tão rico em histórias e personagens.

 

 

Temos um homem-morcego (Will Arnet/Duda Ribeiro) amado por toda Gotham City, mas, ao mesmo tempo, sozinho, cercado por seu egocentrismo elevado. Como todo bom filme do cruzado encapuzado, o roteiro transita pelos traumas de Bruce Wayne, a morte dos pais e o temor por se importar com aqueles que ama e também perdê-los é a verdadeira distância que Batman cria para se proteger. Porém a vida solitária está com os dias contados quando ele acidentalmente adota o jovem órfão Dick Grayson/Robin (Michael Cera/Andras Avancini) e tem de contar com sua ajuda para prender seu maior arquirrival, o Coringa.

 

Sempre utilizando do bom humor, Chris McKay torna essa jornada no universo Lego uma sátira sem fim da mitologia do Batman e dos filmes de super heróis em geral. O tom cômico e absurdo fazem referência até mesmo a outras produções da DC, e por falar em referência, há um sem número de homenagens a todos os filmes do Batman, principalmente a série da década de 60, que ao que parece inspirou grande parte do roteiro da animação. Pra quem é leitor de histórias em quadrinhos há boas surpresas, desde personagens nunca adaptados pra outras mídias, vilões icônicos como Homem Calendário, até piadas internas que farão a alma de qualquer nerd sair e voltar para o corpo algumas vezes. Há também participação de personagens de outras franquias do estúdio, como Lord Voldmort de Harry Potter, os Daleks de Doctor Who e até mesmo Sauron do Senhor dos Anéis.

 

 

O filme acontece num ritmo acelerado e ininterrupto, mas não soa cansativo ou gasto, há sempre ótimas piadas prontinhas para te surpreender. O que torna tudo ainda mais diverto é que há uma dimensão de espaço muito bem organizada, tornando possível que a ação aconteça em mais de um plano, ou seja, é o tipo de filme em que será preciso uma segunda ou terceira visita para acompanhar todos os elementos ali introduzidos.

 

É necessário reconhecer que foi alcançado o equilíbrio entre o personagem principal, a história e seus coadjuvantes, Robin, Bárbara Gordon (Rosário Dawson/Guilene Conte), Alfred (Ralph Fienes/Julio Chaves), Coringa (Zach Galifianakis/Márcio Simões) e até aqueles de menor relevância são bem trabalhados e importantes para o desenvolvimento da trama, o crescimento do Batman e sua evolução ao longo do filme dependem completamente desse apoio secundário. A trilha sonora e a forma orgânica empregada no visual são pontos relevantes, é fácil de adentrar na atmosfera de ação desenfreada com uma trilha tão envolvente, e ao mesmo tempo se divertir com as faixas pop’s; a dinâmica das cenas não são confusas, na verdade são bem fluídas e engraçadas.

 

 

LEGO Batman se estabelece com uma animação primorosa, divertida para qualquer público e eleva o padrão da franquia, dá pra esperar muito mais dos próximos filmes a serem lançados dentro dessa proposta. Talvez esse seja o maior acerto com a DC nos últimos anos. Crítica e público bastante satisfeitos, quem diria?

 

 

Trailer: