Após terminar de assistir à primeira temporada de The OA, confesso ter ficado estarrecida. Estarrecida pela qualidade e originalidade da série e, também, pelo fato de me deparar com tantas opiniões divergentes e comentários negativos em relação a essa produção. Em geral, as séries costumam caminhar para um consenso: ou são idolatradas ou são execradas pelo público. The OA caminha pelo entre, em todos os sentidos. Depois de uma longa reflexão pude compreender o motivo: ela não nos dá respostas, não nos entrega uma verdade incontestável. Pelo contrário, nos faz questionar sobre nossa própria realidade através da vivência da personagem.

 

 

Definitivamente, essa série não é pra qualquer um. E não digo isso de uma forma negativa. Para mim, a série nos exige um alto grau de sensibilidade e disposição para que nos entreguemos ao inesperado. Durante todo o desenvolvimento da trama é contestado o paradigma em que vivemos e as verdades sobre as quais nossa racionalidade se fundamenta. Somos desafiados a todo o momento a nos questionar. Há verdades e mentiras? A ciência moderna é o único conhecimento válido? Até onde vai o controle e o domínio do homem? A existência nesse universo é a única possibilidade? Essas foram algumas das perguntas que pairaram sobre minha cabeça…

 

A produção faz parte do conteúdo original da Netflix e foi idealizada por Zal Batmanglij e Brit Marling, que além de produtora e roteirista, também interpreta a personagem principal. Essa é mais uma parceria entre os dois, que também conta com os longas A Seita Misteriosa e O Sistema.

 

 

A história gira em torno de Prairie Johnson (Brit Marling), uma mulher cega que desaparece da casa dos pais adotivos, interpretados por Alice KrigeScott Wilson, e retorna depois de sete anos, mas com a visão completamente recuperada. No início, ela demonstra certa relutância em falar sobre o que aconteceu durante esses anos, e a série não caminha para uma investigação sobre isso.

 

Prairie, no decorrer dos oito episódios, vai contando sua história para cinco pessoas, que de certa forma, são escolhidos. Entre eles estão Steve Winchell (Patrick Gibson), um garoto problemático; Alfonso “French” Sosa (Brandon Perea), que divide seu tempo entre cuidar da família e se dedicar aos estudos; Buck Vu (Ian Alexander), um menino transgênero; Jesse (Brendan Meyer), um jovem sem ambições e Betty (Phyllis Smith), uma professora que perdeu seu irmão gêmeo e também a paixão pela profissão. E nós. Sim, porque nós nos tornamos cúmplices e ouvintes de Prairie.

 

 

Conforme a história vai sendo desvendada, somos invadidos por dúvidas e, em determinado momento, a própria protagonista diz que eles terão que fingir que confiam nela até que possam confiar de verdade. Assim como nós. Ela é a ligação entre essas pessoas que, aparentemente nada têm em comum, mas que depositam nela uma esperança.

 

Temas como experiências de quase-morte, fé, ciência e ética são abordados de forma inusitada e inovadora. The OA é uma história sobre acreditar. Se pode ou não ser comprovado, que diferença isso faz quando acreditamos? É um prato cheio pra quem não tem medo do estranho e não espera pelo óbvio.

 

 

Trailer: