A terceira e frutífera era de ouro da Disney parece não ter fim, ainda bem. Após duas animações de gênero, o heroísmo de Operação Big Hero e o suspense carregado de crítica social de Zootopia – Essa Cidade é Um Bicho, a casa do Mickey retorna à fórmula clássica em Moana – Um Mar de Aventuras, uma animação que traz o melhor do estúdio em todos os aspectos, além de continuar desconstruindo conceitos ultrapassados.

 

 

A sensação é a de assistir uma animação clássica da empresa, dos tempos de A Pequena Sereia, por exemplo. A explicação desta “sensação” está na escolha dos mesmos diretores que deram vida à Ariel, Ron Clements e John Musker. Se Ariel já era uma garota rebelde para a época, Moana (Auli’i Cravalho) continua o legado, entrando no hall das grandes protagonistas femininas da Disney.

 

Com uma identidade cultural das ilhas do Pacífico muito presente, como a da tribo Maori da Nova Zelândia, a jornada de Moana para salvar sua família de um desastre natural é visualmente espetacular. Graças a inventividade dos diretores em saber usar as cores para criar efeitos, no mínimo, surreais. Fica impossível segurar o queixo ao ver Tamatoa (Jemaine Clement) se tornar fluorescente, ou uma arraia brilhante deslizando na água cristalina e, principalmente, o design do monstro de lava. Se o cabelo de Pocahontas foi um avanço nos anos 90, a de Moana marca a geração atual da animação 3D.

 

 

Longe de ser só uma embalagem bonita, o filme também conta uma história cativante. Um roteiro que foge de portos seguros, como um vilão megalomaníaco e um par romântico para a princesa. De qualquer maneira, nem Moana se define uma princesa, que dirá de um príncipe para salvá-la. A procura por uma identidade é mais importante do que uma paixonite gratuita. O antagonismo, ou seja, o conflito principal é provocado por uma ideia: a ganância do Homem. Mesmo a natureza oferecendo tudo que o ser humano precisa, ele destrói seu próprio meio de vida para ter um poder insaciável. Outros conceitos como tradição e família também são o foco da história.

 

O semi-deus Maui (Dwayne Johnson) é um show à parte. Johnson, com todo o seu carisma, compõe um personagem engraçado, porém vaidoso e egoísta. Um herói que busca o amor e reconhecimento por seus feitos, sem garantia de bons frutos. Embora Moana tenha um semi-deus ao seu lado – que a destrata por ser mulher -, ela é capaz de resolver seus problemas sozinha, mesmo quando o roteiro poderia ajudá-la em situações de risco como a tempestade no Oceano. A sua fiel companheira, uma galinha despirocada, rouba as cenas com uma gag visual atrás da outra.

 

 

Visual exuberante, história redonda e, para completar, uma trilha sonora memorável que não ouvia deste O Rei Leão. Sim, claro, Frozen – Uma Aventura Congelante teve Let It Go, e nada mais (nem precisava). Todas as músicas de Moana – Um Mar de Aventuras são empolgantes, inspiradas e tocantes, imergindo o público nos sons da cultura local. O trio Opetaia Foa’iMark MancinaLin-Manuel Miranda compôs pérolas como I Am Moana, How Far I’ll Go, We Know The Way e You’re Welcome, essa última com um clipe surtado alá Hércules e Aladdin, outros clássicos de Clements e Musker.

 

Sem limites no horizonte, a Disney continua velejando altos mares com Moana – Um Mar de Aventuras. Mais uma produção relevante que entende os problemas atuais e antigos da sociedade, e ainda diverte as crianças, formando uma geração mais consciente em relação à mãe natureza.

 

 

Trailer: