Ainda em produção, Westworld era considerada a nova Game of Thrones, uma grande aposta da HBO para substituir a consagrada trama de George R. R. Martin após o encerramento. Depois de conferir dez episódios incríveis, não considero Westworld uma nova Game of Thrones, mas, simplesmente, Westworld. Uma série que conquista seu próprio terreno através de uma história intrigante, filosófica e visualmente bem elaborada, tornando-se um marco, mais um, da emissora.

 

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Baseado no filme homônimo de 1973, escrito e dirigido pelo autor de Jurassic Park, Michael Crichton, a história é sobre um parque temático de western, em que as pessoas (guests) interagem com robôs ultrarrealistas (hosts) e divertem-se com as possibilidades oferecidas por este universo sem lei. Praticamente um Red Dead Redemption com sexo.

 

Criado por Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins) e Arnold Weber, o parque é um lugar seguro para a diversão dos guests, tudo sob controle da empresa Delos, dirigida por Theresa Cullen (Sidse Babett Knudsen). Não há qualquer tipo de perigo aos convidados, os hosts não podem machucá-los, apenas vivem, dia após dia, em um loop pre-determinado. Rever o cowboy Teddy Flood (James Marsden) destinado a ser um perdedor é no mínimo digno de pena. As máquinas assemelham-se aos humanos em diversos aspectos e podem enganar pelas suas aparentes emoções. O ciclo em que estão presos poderia ser chamado facilmente de rotina. A definição de humanidade é uma das questões sócio-filosóficas levantadas pelos roteiristas Lisa Joy e Jonathan Nolan durante a série, que ainda conta com a produção de J. J. Abrams.

 

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Esse mundo perfeito começa a desmoronar quando, após uma misteriosa atualização, máquinas específicas começam a se comportar de maneira diferente, desenvolvendo a tão sonhada “consciência” por Arnold. Dolores (Evan Rachel Wood) e Maeve (Thandie Newton) são dois pontos cruciais desta mudança, e acompanha-las em suas transformações é um dos maiores prazeres de Westworld. Junto, claro, da transformação do William de Jimmi Simpson, que é combustível para futuros pesadelos.  

 

Outro prazer é nunca estar certo do que a série pode revelar. Cheia de segredos em cada pista visual ou narrativa, a história vai revelando-se aos poucos, sem pressa, para fechar como um código perfeito a resolução dos personagens. Diálogos e gestos repetidos, a incerteza do que é real ou sonho e rimais visuais, fazem cada minuto de Westworld único. Por isso, se ainda não a assistiu, evite ler qualquer teoria ou análise com spoilers para não perder as reviravoltas e surpresas. Não se preocupe, depois de assistir, o que não vai faltar será assunto e uma vontade incontrolável de rever a série, lembrando clássicos como O Sexto Sentido, A Ilha do Medo e Bioshock Infinite.

 

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Westworld já seria memorável pela trama complexa e bem amarrada (para as próximas cinco temporadas), porém a produção também encanta nas questões técnicas. As atuações estão entre as melhores da carreira de cada ator, principalmente do trio Wood, Newton e o mestre Hopkins (a profundidade de sua atuação lembra o de Hannibal Lecter), no entanto, não posso esquecer de Jeffrey WrightEd Harris. O Bernard Lowe de Wright vive entre a admiração às máquinas e o seu dever de controlá-las, além de sofrer pela morte precoce do filho. Harris está assustador na pele do Homem de Preto que, em uma jornada de violência e obsessão, procura o real significado daquele mundo. Dois personagens prontos para explodir a cabeça do público, com nitro, para não ter erro.

 

De praxe na HBO, sexo e violência estão presentes na série, mas nada gratuito, ou quase. As cenas de ação trazem sequências marcantes como um momento “Rambo” de Teddy contra um exército, ou o já clássico assalto do criminoso Hector Escaton (Rodrigo Santoro) ao som de uma Paint It, Black instrumental. Cumprimentos do inspirado e talentoso compositor Ramin Djawadi, que entrega uma trilha sonora minimalista e recheada de hits famosos, deste Radiohead até Amy Winehouse.

 

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Diferente de séries como Lost, Westworld faz perguntas e as responde em sua primeira e impecável temporada, mesmo com alguma poeira na cara (a facilidade dos “cirurgiões” em programar). A série promete transformar os fãs em verdadeiros robôs e fazê-los entrar em um loop infinito na frente da TV até 2018, conferindo essa temporada, todos os dias, como se fosse a primeira vez. E será.

 

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Trailer: