Star Wars é uma mina de ouro. Sabendo disso, a Disney, além de continuar os episódios principais de maneira brilhante, O Despertar da Força que o diga, decidiu investir em spin-offs para abranger este universo cinematográfico. A primeira aposta não poderia ter sido diferente: Rogue One – Uma História Star Wars honra o significado do nome (Rogue pode ser interpretado como “isolado”, “deslocado” ou “trapaceiro”), diferenciando-se com uma identidade própria, mas sem ignorar o que já foi estabelecido.

 

rogue4

 

Escrita por Chris Weitz e Tony Gilroy, a história acontece antes dos eventos de Uma Nova Esperança, quando a Aliança Rebelde envia uma equipe para roubar os planos da Estrela da Morte. Um fato que, quase 40 anos atrás, serviu de ponto inicial para a jornada de Luke Skywalker, e ao acompanhar os sacrifícios feitos nessa operação, aumenta ainda mais a importância da guerra contra o Império.

 

A equipe formada por párias da sociedade, liderada pelo assassino Cassian Andor (Diego Luna) e a contraventora Jyn Erso (Felicity Jones), é um retrato obscuro da Aliança Rebelde. Não há tempo para princípios ou heroísmos na guerra, e sim recrutar soldados dispostos a fazer de tudo pela Aliança, até alguns serviços sujos. A ideologia pacifista e libertária fica bonita nos livros de História intergalática, mas na realidade, assassinar um informante para não servir de testemunha em outras mãos é válido para o bem maior. Grupos extremistas é outro dos efeitos colaterais mostrado no filme, principalmente o liderado pelo personagem de Forest Whitaker. Star Wars continua como uma analogia competente dos dias atuais.

 

rogue1

 

O próprio arco de Erso remete a esse teor crítico, embora seu principal motivo para cumprir a missão seja reencontrar e salvar seu pai Galen Erso (Mads Mikkelsen), o criador da arma planetária e prisoneiro do mal aproveitado Orson Krennic (Ben Mendelsohn). No início, a protagonista ignora o poder do Império, por ser mais “fácil” abaixar a cabeça e encarar a vida preocupando-se apenas consigo mesmo. Porém, ela percebe que enquanto o Império impor sua ditadura, não haverá vida para se preocupar. Assim a causa torna-se maior conforme o objetivo vai sendo alcançado.

 

Rogue One dá um tapa na cara de filmes como Esquadrão Suicida no desenvolvimento de sua principal equipe. O grupo é desenvolvido aos poucos, revelando a personalidade de cada um nas interações nada amigáveis, incrementadas por um humor orgânico – grande parte pelo droide imperial K-2SO (Alan Tudyk) -, sem pender para um sentimentalismo barato. Por isso que, mesmo com poucas cenas, o destino do cego e adorador da força Chirrut Îmwe (Donnie Yen) é temido quando este sai caminhando no meio de uma saraivada de tiros. Vale comemorar que os atributos marciais de Yen foram bem usados na produção.

 

rogue2

 

Com uma excelente mão para as cenas de ação (já posso esquecer Godzilla), Gareth Edwards entrega um dos melhores e corajosos clímax da saga (deve ser por isso que muita gente, no calor da empolgação, considera este o melhor filme da série). Como de costume, variando entre uma batalha espacial, com direito a uma memorável cena envolvendo destroyers, e uma na praia de Scarif (exuberante na fotografia viva de Greig Fraser), que remete ao Resgate do Soldado Ryan pelo realismo, a palavra “wars” nunca fez tanto sentido como aqui.

 

Rogue One – Uma História Star Wars diferencia-se dos restante por sua história independente da família Skywalker, pelo toque realista da guerra contra o Império e por outras questões técnicas como a falta do letreiro introdutório e das transições de power point na edição. De bônus, o maestro Michael Giacchino ainda renova a trilha sonora clássica eternizada por John Williams. No entanto, os fãs não precisam se preocupar com as mudanças, pois o filme traz diversas referências do universo de George Lucas, além de Darth Vader que retorna com uma impactante demonstração de poder. Pode ter certeza que depois de Rogue One, o Episódio IV não será visto da mesma forma.

 

04-otimo

 

Trailer: