Woody Allen, aos seus 81 anos completados recentemente, mantém uma média expressiva de um filme por ano há décadas. Além disso, é um diretor que possui uma carreira marcada pela experimentação, já que possui filmes cômicos, principalmente os do início de sua carreira, como Um Assaltante Bem Trapalhão e Bananas; filmes dramáticos como Interiores e Memórias e até produziu o musical Todos Dizem Eu Te Amo. Apesar disso, boa parte da crítica insiste em dizer que já há algum tempo o diretor tem se repetido. Será mesmo?

 

 

Em seu último filme, Café Society, o cineasta nos conta a história de Bobby (Jesse Eisenberg), um judeu nova-iorquino que sai do Bronx para tentar a vida em Hollywood, disposto a trabalhar com seu tio Phil (Steve Carrel), um famoso agente da indústria cinematográfica. Conhece e se apaixona pela jovem Vonie (Kristen Stewart), secretária de seu tio. A partir disso, dá-se início aos encontros e desencontros típicos das produções do cineasta. O filme é ambientado entre os anos 30 e 40 e faz uma homenagem à velha Hollywood, trazendo a nostalgia típica dos filmes de Allen, como podemos constatar em A Era do Radio, Tiros na Broadway e em Meia-Noite em Paris.

 

Em Café Society, encontramos personagens e situações recorrentes no cinema de Woody Allen, como o fracasso das relações amorosas, a fragilidade da comunicação entre os seres humanos, o intelectual perdido e desajeitado, etc… Para alguns, mera repetição do mesmo, enquanto para outros denota a plasticidade do diretor em inovar mesmo mantendo certas características comuns em suas produções. Ao som de jazz (um dos estilos musicais preferidos do diretor), o filme traz temáticas como religião (principalmente de forma humorística), desencontros amorosos, passando por gângsters e neuroses.

 

 

Direção de arte, figurino, fotografia e trilha sonora nessa obra são incontestavelmente impecáveis. Destaque para a fotografia de Vittorio Storaro, também responsável por Último Tango em Paris, Apocalypse Now e O Último Imperador. Apesar disso, o roteiro deixa um pouco a desejar. A impressão que causa é que em determinados momentos falta um encaixe em certas partes da trama. O filme apresenta basicamente dois níveis: o eixo Nova York e o Los Angeles, representados, respectivamente, pelo romance entre Bobby e Vonnie e a família judia nova-iorquina. A história sobre a família, apesar de desempenhar uma função cômica, pouco se conecta com a trama principal do filme, fazendo com que falte um pouco de harmonia entre esses dois núcleos. Mas não é o suficiente para afetar o resultado final de Café Society. Sim, eu sou daquelas que defendem que, mesmo quando ruim, Woody Allen sempre vale a pena.

 

 

Trailer: