Depois do sucesso estrondoso de Guardiões da Galáxia, a Marvel Studios sentiu-se a vontade para arriscar adaptações de qualquer outro personagem da casa, independente da popularidade. Deste modo, e seguindo a fórmula cômica estabelecida por Jon Favreau deste Homem de Ferro, filmes como Homem-Formiga e, agora, Doutor Estranho foram possíveis, sendo que o último é mais uma produção acertada do estúdio.

 

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No geral, Doutor Estranho é o batido filme de origem, com o bem sucedido e arrogante Dr. Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) indo do céu ao inferno para depois voltar ao céu alternativo, através de uma história didática, que prefere vários diálogos expositivos para estabelecer um novo mundo do que apenas depender do visual. Embora o roteiro, escrito a seis mãos, perca a força neste quesito, sobra tempo para o surrealismo e o ótimo timing cômico de Cumberbacth, escolha perfeita para o papel e o melhor candidato para substituir Robert Downey, Jr. como o principal ator do estúdio após Guerra Infinita.

 

No entanto, Cumberbacth não é o único dono do filme, dividindo o destaque com a Anciã interpretada por Tilda Swinton. Um verdadeiro casting inspirado. Por falar nisso, o filme tem um elenco gabaritado. O que me deixa triste ao ver atores como Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdamsMads Mikkelsen serem subaproveitados. Ejiofor se desenvolve como um antagonista de uma possível continuação, McAdams é o interesse romântico que surge em cenas específicas e Mikkelsen faz o típico vilão do UCM (Universo Cinematográfico da Marvel): uma desculpa para cenas de ação e esquecível. Engraçado que seu personagem, Kaecilius, é um mago experiente que, com a ajuda de outros dois, são derrotados na primeira luta com o inexperiente e atrapalhado Strange. Sério, Marvel?

 

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Contudo, o surrealismo do filme compensa qualquer flerte com a mesmice. O diretor Scott Derrickson (vindo de uma boa carreira no terror) soube usar muito bem o CGI ao seu favor. Todas as cenas de ação são fantásticas, com realidades transformando-se em tempo real e muita magia psicodélica que deixará muito fã dos anos 60 feliz. Imagine A Origem depois de experimentar LSD, pintando um quadro de Salvador Dalí. Só vendo para crer.

 

Por exemplo, a viagem de Strange as outras realidades é simplesmente insana, a equipe de design deve ter se divertido como nunca. O clímax já entra para a História do gênero de super-herói por ser o primeiro final que, em vez de uma destruição em massa, tem uma reconstrução em massa. Assistir o herói lutando no meio de uma bagunça temporal é uma experiência única, e o confronto final (ou seria uma negociação?) é brilhantemente sádico. A trilha sonora marcante de Michael Giacchino só deixa tudo ainda mais intenso.

 

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Doutor Estranho traz o pacote completo do que faz uma produção da Marvel ser um sucesso, além de apresentar uma abordagem nova para o UCM, criando uma nova gama de possibilidades que devem ser exploradas futuramente. Ansioso para ver o Sherlock ilusionista (adorei a referência ao personagem) em novas aventuras, lutando contra demônios com a ajuda de sua cativante capa e o Olho de Agamotto, este que eu quero roubar para chegar logo em Guardiões da Galáxia 2.

 

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Trailer: