idrMuitos filmes veem apostando na nostalgia como um meio de lucrar, criando uma moda nova cheia de reboots disfarçados de continuações, histórias “originais” recheadas de referências e remakes com roupagem moderna. O candidato da vez é Independence Day – O Ressurgimento, que investe pesado no saudosismo dos fãs.

 

A primeira vez que vi Independence Day foi uma experiência incrível, na imaturidade da minha adolescência, era o melhor filme de todos os tempos. Porém, 20 anos depois, quando soube da continuação, a minha reação pode ser resumida em uma simples pergunta: pra quê?

 

Seguindo o mesmo clima de filme B – bizarrices como um cientista acordar de um coma profundo e, logo em seguida, sair andando e fazendo piadas faz parte do universo -, O Ressurgimento é um desfile de homenagens ao original, retorno de velhos conhecidos e muita ação ao melhor estilo Tropas Estrelares. O clímax, com direito a um monstro gigante, remete muito ao filme de Paul Verhoeven, mostrando que o diretor Roland Emmerich fez muito bem a lição de casa. No entanto, o resto do filme não apresenta nada de mais, e por causa do enxame de personagens, nenhum deles consegue destacar-se completamente, tendo muita encheção de linguiça, como a parte das crianças, por exemplo. Além dos efeitos visuais não chegarem aos pés dos apresentados em 1996.

 

Independence Day – O Ressurgimento é uma tentativa frustrante de repetir o sucesso do anterior, e ainda deixa as portas abertas para o próximo. Nessas horas insisto na pergunta: pra quê?

 

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nowNão morro de amores pelo primeiro Truque de Mestre, tanto que quase o apaguei da minha memória, e foi uma missão complicada lembrar dos personagens, enquanto assistia essa continuação que leva o subtítulo de 2º Ato.

 

Felizmente, a nova aventura está mais a vontade com o absurdo universo do grupo de mágicos que, com muita técnica e efeitos visuais, consegue as mais incríveis façanhas. Com uma trama nada relevante, e um drama forçado em torno do personagem de Mark Ruffalo, o filme investe a maior parte do tempo na relação do grupo principal, tendo como destaques os atores Woody Harrelson (com direito a um irmão gêmeo) e a nova integrante Lizzy Caplan, sendo um belo acerto de casting. Daniel Radcliffe também é outro novato, mas seu antagonista cai no clichê do vilão obcecado por vingança.

 

As cenas de mágica são o grande espetáculo de Truque de Mestre – 2º Ato, com o diretor Jon M. Chu sabendo explorar visualmente a habilidade de cada personagem. A sequência do roubo é ao mesmo tempo tensa e divertida, resultando em uma coreografia bem elaborada. Uma sequência que resume bem o ritmo empolgante da franquia, que pode pecar no roteiro frágil, mas não decepciona quando o assunto é entreter, e como um passe de mágica, você nem vai perceber que o filme acabou.

 

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ntshadowsSim, mais uma continuação.

 

As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras deixa a indecisão do filme anterior de lado – o primeiro ficou dividido entre ser realista ou fantástico -, para assumir de vez um clima totalmente voltado para o público infantil, mas sem esquecer de divertir os fãs crescidinhos.

 

Com uma identidade visual teen e colorida – o mesmo que Esquadrão Suicida emulou no início, mas desistiu logo depois -, Fora das Sombras é um subtítulo perfeito para essa nova proposta. Praticamente uma animação das Tartarugas, com direito a muitos vilões clássicos (Baxter é uma promessa boa para o terceiro filme) e muita, mas muita pizza.

 

Não dá para falar muito sobre atuações quando se tem Megan Fox no elenco, pois na primeira aparição da moça, já tem uma desculpa esfarrapada para mostrar suas curvas. O realismo do primeiro filme é coisa do passado, agora os roteiristas abraçam a suspensão de descrença com toda força. Não importa como uma tecnologia alienígena consegue ser sintetizada em poucos minutos por um humano, ou porque um policial vai combater ninjas com um bastão de hóquei, pois em compensação, as tartarugas dão um show quando saem na porrada com o grotesco Krang (Brad Garrett) ou na inspirada dupla Bebop (Gary Anthony Williams) e Rocksteady (Stephen Farrelly). Essa fidelidade na caracterização dos personagens não tem preço.

 

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alice2Adivinha do que eu vou falar agora? Isso mesmo, mais uma continuação.

 

Alice no País das Maravilhas pecava por ser uma embalagem muito bonita, mas sem nenhum conteúdo, e sua continuação honra esse pecado. Para piorar, Alice Através do Espelho não tem a estranheza de Tim Burton, que sempre é uma atração a parte.

 

Deste modo, o filme soa como um comprimento de contrato dos atores, pois grande parte do elenco está no automático, com atuações exageradas e caricatas. Johnny Depp continua sendo uma caricatura de si mesmo, e dói só de pensar que um dia foi considerado um dos melhores atores de Hollywood. As caras e bocas feitas durante sua “atuação” como Chapeleiro Maluco são digna de pena, porém esse sentimento logo desaparece quando lembro o montante de dinheiro que está levando por essa palhaçada.

 

Entretanto, uma das novidades da história é o que a salva. Sacha Baron Cohen é o único ator que se diverte e leva a sério seu papel como o Tempo. A ambientação de seu mundo é fantástica, provando que o visual nunca será problema na franquia. Através do Espelho ainda tem uma pequena participação de Alan Rickman, valendo a sessão só pelo fato de poder ouvir sua inesquecível e marcante voz. Saudades.

 

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backEle Está de Volta tem uma premissa interessante quando traz Adolf Hitler para o mundo contemporâneo, e como seria seu comportamento diante uma sociedade anestesiada pelas mídias.

 

Essa comédia alemã, dirigida e roteirizada por David Wnendt, segue o estilo de Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América, em que mistura ficção com gravações reais, principalmente quando Hitler (Oliver Masucci) interage com pessoas comuns, e nessas conversas, Wnendt é feliz por trazer a tona um ódio existente, um ódio que elegeu um dos maiores assassinos de nossa recente História.

 

Nessa parte, o filme se assemelha a produção A Onda, pois mostra que as bases do nazismo ainda perpetuam, em pessoas que nutrem o xenofobismo e o racismo, esperando por um novo líder para repetir a sangrenta História. O mais assustador é que esse líder tem novos meios para comunicar-se, em uma época que um grupo está disposto a ouvir qualquer um que defenda seus “ideais”, sem nenhum tipo de critério crítico.

 

Uma pena que o humor do filme não funciona, as situações cômicas são do nível de uma novela mexicana, ou a Turma do Didi. Porém não posso negar que a cena do cachorro é de um humor negro sensacional. Tirando as piadas bobas e o pequeno investimento nítido nos efeitos visuais, Ele Está de Volta é um triste retrato de um monstro adormecido, e que está longe de ser exterminado.

 

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