Star Trek (Jornada nas Estrelas para os velhos como eu) completa este ano memoráveis 50 anos. Até J.J. Abrams remodela-la para a atualidade, nunca tive muito interesse por ela, pois a achava muito “parada” e sem a pirotecnia de um Star Wars, por exemplo. Após vê-la com outros olhos, no reboot de 2006 – as lágrimas escorrem na cena inicial -, fui atrás dos clássicos, e compreendi que a série não era parada, mas sim com uma proposta diferente. As histórias eram focadas nos conflitos internos dos personagens, e não na ação em si. Mesmo que os filmes atuais estejam mais frenéticos, a essência não foi perdida, e no recente Star Trek – Sem Fronteiras, tem-se a celebração da franquia e homenagens aos que fizeram ela ser tão longa e próspera.

 

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Fechando o arco dessa primeira nova trilogia, em que o primeiro focava em Kirk (Chris Pine) e depois Além da Escuridão – Star Trek desenvolveu melhor Spock (Zachary Quinto), o terceiro tem no protagonismo “A Tripulação”. O roteiro de Simon PeggDoug Jung é uma declaração de amor a série, e está cheio de piadas e referências ao passado. Ainda sobra espaço para homenagear, de uma maneira emocionante e orgânica, um dos seus maiores símbolos: o ator mais vulcano do Universo Leonard Nimoy (e o filme também é dedicado ao ator Anton Yelchin que morreu mês passado).

 

A trama é interessante por distribuir bem as funções da equipe principal da Enterprise, que após uma emboscada – o plano de câmera de Kirk olhando para a nave caindo é belíssimo -, eles precisam arrumar uma maneira de agrupar-se e voltar para casa, enquanto enfrentam Krall (Idris Elba), um vilão que casa perfeitamente com a mensagem do filme, a da relação do capitão com a equipe. Deste modo, Kirk e Spock ainda continuam donos do palco, porém o restante da tripulação participa ativamente durante toda a projeção, com Scott tendo bastante destaque (será por influência de Pegg no roteiro?) e duplas improváveis que só comprovam a boa química entre o elenco.

 

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Por isso a montagem precisa ser eficiente para o público não ficar perdido diante tantos núcleos, e o departamento de edição (com quatro profissionais no comando) consegue com maestria distribuir bem as cenas, principalmente na ação, em que o diretor Justin Lin traz toda a loucura de Velozes e Furiosos para Star Trek. A escala de ação é gigantesca, e traz até uma corrida de moto, que derrapa um pouco nos efeitos visuais, mas é uma prova da mão do mesmo diretor que arrastou um cofre pelas ruas do Rio de Janeiro.

 

Sem Fronteiras também é muito divertido. A primeira aparição de Kirk resulta em uma incrível gag visual, e a nova personagem Jaylah (Sofia Boutella) é ao mesmo tempo engraçada e guerreira, sendo a personagem feminina forte, ofuscando Zoe Saldana como Uhura. O filme ainda aumenta sua representatividade com a inserção de uma nova informação sobre o personagem Sulu (John Cho), em que descobrimos sua homossexualidade. Uma mudança(?) que só mostra o engajamento da série na quebra de preconceitos.

 

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Embora entre os personagens não há cenas dramáticas marcantes, praticamente um Guardiões da Galáxia, as lágrimas ficam por conta das homenagens, como já escrevi no começo do texto. Várias surpresas estão ali para os trekkers, e mesmo não sendo um, a nostalgia invade com tudo quando a tripulação tem o desafio de pilotar uma nave retrô. Um belo presente aos fãs.

 

O quinquagésimo aniversário da franquia está completa com Star Trek – Sem Fronteiras, que abraça de vez o futuro definido por Abrams e reverencia o passado de Gene Roddenberry. Seria muito clichê me despedir com a famosa saudação vulcana, mas para prestar minha homenagem a Nimoy, irei desejar a todos vida longa e próspera. O problema é conseguir fazer o sinal com a mão.

 

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Trailer: