É chegado o fim de mais uma temporada de Game of Thrones. Mesmo que não haja surpresa em constatar que a sexta temporada da produção da HBO manteve o altíssimo patamar de qualidade de seus anos anteriores, desta vez é preciso dizer ainda que a série se superou e elevou tanto a sua narrativa quanto a sua qualidade técnica, conseguindo inclusive superar muitas outras temporadas consideradas excelentes.

 

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Culpa do fim dos livros físicos para fins de adaptação direta ou do próprio planejamento do autor George R. R. Martin e dos executivos da emissora de TV a cabo norte-americana, boa parte das personagens da série deram grandes passos nesta temporada, mudando radicalmente o rumo do jogo de tronos em Westeros. Não que nas temporadas anteriores isto não acontecesse, mas o foco era muito maior em pequenos avanços em cada núcleo para culminar em uma grande e definitiva mudança. E parece que esse momento da mudança chegou.

 

Jon Snow (Kit Harington), Daenarys Targaryen (Emilia Clarke) e Cersei Lannister (Lena Headey) constituíram-se assim como as principais chaves da temporada, justamente por serem as principais casas na disputa do Trono de Ferro. Snow iniciou o sexto ano com a reviravolta inicial a respeito de seu retorno. Reviravolta que, diga por sinal, sinalizou um momento raro de flerte da série com o clichê e o folhetinesco, visto que a exposição dos traidores da Patrulha da Noite e o início do triunfo de Jon poderia ter se dado de outra forma, ainda que assim fosse atrair bem menos repercussão para a série.

 

Passado esse momento, entretanto, a personagem se moveria rumo a um dos melhores momentos de toda Game of Thrones: o aguardado embate com Ramsay Bolton (Iwan Rheon) – antagonista que desde já entra para a galeria de grandes vilões da trama -, na cinematográfica batalha que deu uma verdadeira aula de como conduzir uma grande cena de confronto aos blockbusters atuais, relembrando os grandes momentos de enfrentamento de O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei, filmados pela ótica do sempre competente Peter Jackson. Aqui vale destacar também a redenção de Sansa Stark (auxiliada pela brilhante atuação de Sophie Turner), personagem que, após ter se mostrado a mais detestável dos Stark na primeira temporada, comeu o pão que o diabo amassou em todas as ocasiões possíveis, mas agora se encaminha para fazer jus ao nome de sua casa, sem dúvidas a mais querida da obra.

 

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Já Daenarys teve seu núcleo mantido com um ritmo praticamente inalterado em relação aos anos anteriores: oscilando entre momentos de grande emoção e outros de extrema monotonia, mas sempre com a sensação de que não progredir narrativamente. Se o ritmo por sua vez continuou o mesmo (com o melhor momento da Targaryen ocorrendo na primeira metade da temporada, com sua demonstração de força após o rapto), espera-se que pelo menos agora ocorra a progressão narrativa com sua união com os Greyjoy para alcançar Porto Real.

 

Cersei, por fim, continua uma personagem inabalável: a atual matriarca da casa Lannister consegue ir do céu ao inferno e ainda sim manter o controle de praticamente toda a situação em Porto Real, o que faz com que permaneça sendo a protagonista absoluta do seriado. Mesmo permanecendo quase desapercebida em boa parte da temporada – apenas buscando destruir o Alto Pardal (Jonathan Price) e, posteriormente, aguardando o seu julgamento -, ela comandou a genial sequência de abertura do episódio final (desde já um dos grandes momentos da série), com a destruição do Grande Septo e praticamente de todo o núcleo Tyrell e dos Pardais, ambos responsáveis por grandes momentos tanto nesta temporada quanto na anterior.

 

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Vale destacar também o desenvolvimento de outras personagens no decorrer da temporada: Brienne (Gwendoline Christie) e Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), que já estiveram muito próximos a protagonistas em outras temporadas, tiveram participação drasticamente reduzida nesta, servindo apenas de escada para a grande batalha dos Stark contra os Bolton; Tyrion (Peter Dinklage) manteve sua posição de menor destaque narrativo adquirida na última temporada, ainda que continue protagonizando grandes e emocionantes diálogos com a Khaleesi (como aquele em que é proclamado Mão da Rainha; e por último, é de se celebrar o excessivamente estendido treinamento de Arya Stark (Maisie Williams), a qual finalmente retorna para a sua vingança, a começar pelo algoz de sua família, Walder Frey (David Bradley).       

 

No último episódio desta sexta temporada, o fantástico The Winds of Winter, Jon Snow anuncia para a Sansa a chegada do inverno. E parece que com a esperada chegada do inverno na série, chega também o momento de embate entre os grandes personagens que ela fielmente construiu ao longo destes seis anos e que já se tornaram alguns dos maiores da história da televisão. Auxiliando-os, um elenco completamente afinado (não existe qualquer ator fora do tom na série), um roteiro detalhista e muito bem costurado e uma direção que prova a cada episódio que a televisão nunca esteve tão próxima do cinema. Ainda assim, é possível perceber que o fim da obra se aproxima, então cabe a nós aproveitar os últimos anos desta – não é exagero dizer – obra-prima e torcer para que futuramente continuemos tendo produções tão meticulosas quanto esta.

 

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Trailer: