Dona de uma cronologia confusa, que virou piada até em Deadpool, a franquia X-Men chega ao sexto filme, chamado de Apocalipse, com a missão de preparar o terreno para uma nova geração de atores na pele dos mutantes. Dentro desta recente trilogia iniciada em Primeira Classe e seguida por Dias de Um Futuro Esquecido, Apocalipse decepciona seus antecessores em alguns aspectos, mas consegue cumprir a missão, deixando um futuro promissor, e menos confuso, para a série.

 

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Escrito por Simon Kinberg, a trama principal gira em torno do mutante ancestral Apocalipse (Oscar Isaac) e sua obsessão em “limpar” o mundo de falsos líderes. Nesta peregrinação apocalíptica, recruta quatro poderosos mutantes para ajudá-lo. Contudo, dos quatro capangas, o único que se destaca (mais uma vez) é o Magneto de Michael Fassbender que tem, sem sombra de dúvidas, o melhor arco narrativo. Infelizmente, Bryan Singer, outra vez na cadeira de diretor, não permite que Erik Lehnsherr se transforme no famoso vilão dos quadrinhos, por causa da velha insistência de revelar o lado bom do personagem, o que acaba sabotando todo o drama inicial dele, responsável pela melhor cena dramática. Agora os próximos roteiristas precisam forçar a barra para jogá-lo novamente no lado negro da força, quero dizer, do magnetismo.

 

Essa falha com Magneto é ainda mais sentida no filme, pois o antagonista principal, Apocalipse, nunca soa ameaçador e, em cada aparição, eu ficava esperando pelos Power Rangers surgirem para enfrentá-lo. O chicletão (mastigado) ambulante é muito mal resolvido, não definindo claramente seu real poder (engenheiro? figurinista? suporte?). O pior é quando a voz de Issac é modificada em momentos grandiosos para torná-lo imponente, porém o efeito artificial só o torna mais bizarro. Faltou uma melhor discussão na criação do personagem.

 

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O que realmente funciona neste X-Men é a apresentação do novo elenco, mostrando, mesmo que de uma maneira bem ligeira, os medos e os problemas de descobrir-se mutante. O pouco tempo que tem juntos, só prova que se o filme focasse mais na relação entre eles, do que na destruição do mundo e no show exagerado de efeitos visuais do clímax, pode ter certeza que o longa ganharia muito. Interessante notar que até as discussões sobre preconceito, orgulho de ser mutante, subtemas sociais, é bem superficial. O que faz da cena de Erik com sua família ainda mais impactante.

 

Dos novos rostos, destaco Sophie Turner como Jean Grey e Tye Sheridan como Scott Summers. Os dois conseguem estabelecer seu lugar na franquia, e em relação à Grey, há uma surpresa no clímax que deixará muito fã satisfeito, possivelmente algo que Singer teria feito no esquecível O Confronto Final. Enquanto os novos ganham espaço, os “velhos” funcionam como suporte. Jennifer Lawrence vira a líder dessa nova geração, e se eu uso o nome da atriz em vez de Mística, é porque a atriz parece ser mais importante do que a personagem, virando uma espécie de Katniss dos mutantes. Charles Xavier (James McAvoy) ganha importância no final, mas até lá, se resume a um humor bobo e fora de timing, algo que está durante toda a projeção, principalmente na horrível Moira de Rose Byrne, personagem totalmente dispensável.

 

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As cenas de ação não diferem muito do que foi visto anteriormente, com mutantes não sabendo lutar em grupo – precisam assistir Os Vingadores – e muita destruição, porém, para minha surpresa, este é o X-Men mais violento, com sangue jorrando nas paredes e mutantes sendo esmagados por rochas. Não tem como negar a influência do sucesso de um certo brincalhão, uma influência clara na pós-produção do filme. O ápice dessa selvageria está na bela participação de um velho conhecido, sendo um teaser da futura despedida do personagem.

 

X-Men – Apocalipse tem seus momentos, e são o bastante para salvá-lo, porém é enfraquecido por um antagonista esquecível e a supremacia da ação sob o relacionamento interpessoal dos mutantes, além de repetir sequências dos outros filmes como armas humanas voltadas contra eles e o resgate, espetacular, do Mercúrio (Evan Peters) na mansão Xavier. Curioso que essa é uma das poucas partes que remetem totalmente aos anos 80. Anos marcantes para um filme nem tanto assim.

 

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Trailer: