Nunca é fácil escrever sobre algo quando se é fã, pois tirar a paixão do senso crítico é uma tarefa árdua, principalmente quando o produto final não corresponde as expectativas, e o lado fã tenta sempre ver os pontos positivos de um erro, só para não bater demais no seu artista favorito. Uma fraqueza que acaba prejudicando a análise, que ao meu ver é praticamente impossível, de ser imparcial. Se não tem como ser imparcial, que ao menos seja concisa.

 

Um problema que não terei com o novo álbum da Sixx: A.M., Prayers For The Damned – Vol. 1, que após o auge musical alcançado com Modern Vintage, retorna com um som mais agressivo e ambicioso que, enfim, põe a banda de Los Angeles em um novo patamar.

 

 

O álbum, dividido em dois volumes sendo que este é o primeiro, inicia com um típico hit da banda, Rise. Empolgante, grudenta e com uma letra sobre revolta, é um poderoso cartão de visitas. Logo em seguida, You Have Come To The Right Place não foge da pegada hard roqueira da antecessora, com um dos melhores refrões entre as 11 faixas e uma composição motivacional que é marca registrada de James Michael, que além de vocalista é o produtor do disco (o músico postou vídeos mostrando o processo de criação neste link). 

 

Pode ter certeza que Volume 1 exigiu bastante suor da banda, um esforço que pode ser ouvido na maior presença da bateria de Dustin Steinke. Músicas como When We Were Gods e Rise of The Melancholy Empire são ótimos exemplos dessa dedicação. A primeira traz o baixista e líder da banda, Nikki Sixx (ex-Mötley Crüe), dando o tom para uma épica canção – Michael no seu limite -, só é uma pena que a segunda, apesar de uma produção caprichada, é uma das poucas que ficam devendo. Aliás, DJ Ashba (ex-Guns N’ Roses) sobra na música, com um belo solo do guitarrista, que supera a si mesmo neste álbum em diversos momentos.

 

Everything Went To Hell é outra que se tivesse um refrão melhor, seria espetacular, embora ainda seja muito boa. Better Man (única “balada” do álbum) e The Last Time (My Heart Will Ever Hit The Ground) são altamente viciantes, porém queria muito ouvir uma versão acústica das mesmas, com certeza elas ganharam ainda mais força. Mas isso é muito mais um capricho meu do que uma falha deles.

 

 

Para completar, ainda tem as convencionais I’m SickCan’t Stop, esta última deve funcionar bem ao vivo, porém ficou repetitiva em estúdio. Curioso que Belly of The Beast, a grande surpresa deste Volume 1, usa a repetição ao seu favor, criando um mantra no melhor estilo rock industrial de Marilyn Manson. Sixx destrói em uma música que promete ficar semanas em sua cabeça como uma besta que se renega a sair de sua alma.

 

Concluindo, a faixa-título de Prayers For The Damned – Vol. 1 já é um hino clássico da banda, e a síntese de uma clara evolução da Sixx: A.M. que continua tocando um hard rock moderno de alta qualidade e honesto, e o melhor, esta é apenas a primeira parte de um trabalho vindo desses malditos que merecem todas as orações dos fãs e dos críticos.

 

Tracklist:

 

01. Rise
02. You Have Come To The Right Place
03. I’m Sick
04. Prayers For The Damned
05. Better Man
06. Can’t Stop
07. When We Were Gods
08. Belly of The Beast
09. Everything Went To Hell
10. The Last Time (My Heart Will Ever Hit The Ground)
11. Rise of The Melancholy Empire

 

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Clipe: