Definitivamente era uma noite especial, além de ver pela última vez a lenda viva que é a Black Sabbath, era o meu primeiro show fora do Brasil. Sem nenhuma surpresa, a organização do evento foi exemplar, e quando menos esperei, já estava a poucos metros do palco, só contando as horas para começar a imersão ao mundo sombrio da banda inglesa.

 

A banda de abertura, a norte-americana Rival Sons, fez o pré-aquecimento do público na noite fria de Dunedin, Nova Zelândia. Embora os integrantes tenham talento, e o vocalista Thomas Flowers esbanjasse garganta nas músicas que mostravam clara inspiração no Led Zeppelin, não teve como fugir da sensação de ter ouvido aquele tipo de banda tantas e tantas vezes, sem algo especial que a fizesse única e marcante, qualidades de sobra da atração principal. Logo em seguida, após uma animação de um demônio criando vida no telão, o palco e o público deram boas vindas aos senhores da escuridão.

 

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Abrindo o show com a clássica Black Sabbath, tive a certeza de que ouvir bandas como Sabbath pelos álbuns ou vídeos, ou conhecer a importância deles na história do rock, realmente nunca será o bastante até vê-los ao vivo. Ver deuses do rock em carne e osso toca de uma maneira inexplicável. No caso deles, toca com uma porrada sonora que faz sua alma descer ao inferno. O metal na mais pura representação de arte.

 

No total foram 14 músicas, com uma apresentação focada nos clássicos, principalmente no álbum Paranoid. Ozzy Osbourne com um sorriso lunático e um carisma natural, agitava os longos cabelos negros, enquanto segurava com as duas mãos o microfone e mostrava que ainda está em grande forma vocal. Madman não descansava um minuto na missão de agitar o público – que não chega aos pés dos brasileiros em termos de energia -, pedindo e gesticulando o tempo todo para que batessem palmas e gritassem, acompanhando o ritmo da bateria de Tommy Clufetos, jovem baterista que honra o instrumento deixado por Bill Ward. O solo de bateria, antes da Rat Salad, foi um dos pontos altos do show, em uma química arrasadora entre batera e público.

 

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Outros pontos altos do concerto, que não decaiu em nenhum instante, foram nas músicas War Pigs, Iron Man – como um nerd simplesmente pirei – e Paranoid, nesta última pensei que o Forsyth Barr Stadium iria desabar. Não posso deixar de fora o solo animal de Geezer Butler que antecedeu a inconfundível N.I.B., e o espetáculo que é ver Tony Iommi em ação. O guitarrista nem precisa movimentar-se muito no palco para enlouquecer os fãs com riffs e solos que explodiam através do excelente sistema de som. Iommi soa como mil guitarristas e, mesmo assim, eles não conseguiriam tocar o que ele toca.

 

Black Sabbath encerrou a turnê da Oceania de maneira memorável nesta jornada ao fim. Um fim que é mais um presente aos fãs do que uma questão de honra da banda, pois o trabalho deles vai ecoar para sempre como trovões em uma tempestade eterna.

 

Setlist, Dunedin 30/04/16, Nova Zelândia:

 

01. Black Sabbath
02. Fairies Wear Boots
03. After Forever
04. Into The Void
05. Snowblind
06. War Pigs
07. Behind The Wall Of Sleep (with ‘Wasp’ intro)
08. N.I.B. (with ‘Bassically’ intro)
09. Hand Of Doom
10. Rat Salad (with drum solo)
11. Iron Man
12. Dirty Women
13. Children Of The Grave

 

Encore:

 

14. Paranoid

 

Trailer: