HeadE do nada, surgiu Radiohead. Após cinco anos sem lançar um material inédito, a banda britânica de rock alternativo (e bota alternativo nisso), chamou a atenção em 2016 pelo desaparecimento de qualquer vestígio deles nas redes sociais. Depois disso, imagens de um possível clipe feito em stop-motion começaram a surgir na internet, sem nenhuma explicação, sem nenhum alarde, e sem avisar, o vídeo do primeiro single, Burn The Witch, já era sucesso no Youtube, com o lançamento do novo álbum, A Moon Shaped Pool, a poucos dias de acontecer.

 

Esse marketing relâmpago ainda contou com mais um clipe lançado, desta vez de Daydreaming, e com a direção de nada mais nada menos do que o brilhante Paul Thomas Anderson (Vício Inerente, O Mestre). As duas músicas foram um acertado cartão de visitas deste novo trabalho, um trabalho conceitual que segue o experimentalismo musical da banda, e que deve ser escutado com calma e paciência para não perder nenhum detalhe, um comprometimento igual ao já clássico Blackstar de David Bowie.

 

Produzido pelo companheiro de longa data Nigel Godrich, o álbum é uma mistura de sons, muita vezes desencontrados e irreconhecíveis, mas que formam melodias hipnotizantes, transmitindo um novo sentimento a cada audição. Tudo isso para criar um clima que ao mesmo tempo consegue ser perturbador como em Ful Stop e no primeiro single, e intimista nas belas Identikit e Present Tense (algumas faixas são velhas conhecidas dos fãs por já serem tocadas ao vivo). É claro que álbuns ousados e inovadores como esse, não devem agradar os que procuram algo mais imediato, e não culpo quem o achar tedioso, pois em alguns momentos também o achei. Contudo, nada que tire a validade e a coragem da Radiohead em criar uma experiência totalmente nova para os amantes da música.

 

Tracklist:

 

01. Burn The Witch
02. Daydreaming
03. Decks Dark
04. Desert Island Disk
05. Ful Stop
06. Glass Eyes
07. Identikit
08. The Numbers
09. Present Tense
10. Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Man Thief
11. True Love Waits

 

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GoodRoxette foi uma das bandas que melhor entendeu o pop. Dona de uma grande quantidade de hits, principalmente nos anos 80 e 90, sempre é com grande expectativa que se aguarda um álbum novo da dupla sueca. Os últimos trabalhos, como em Charm School, mesmo que não trouxessem a mesma qualidade de antigamente, na parte instrumental para ser específico, ainda havia a forte marca da banda em compor músicas empolgantes para ouvir sem compromisso, e ouvir outra vez sem compromisso e mais vezes sem compromisso. Era ao menos isso que eu esperava de Good Karma, o novo trabalho deles.

 

Sim, há indícios do talento da Roxette em músicas como It Just Happens (melhor música disparada, mas que é abaixo do que podem fazer) e a faixa-título que deve ser emplacada como um hit. Porém, o grande problema deste disco é a produção exagerada e equivocada. Querendo soar moderna, a banda abusa do eletrônico e dos efeitos do auto-tune, distorcendo demais a voz de Per Gessle – parece um robô cantando – e deslocando Marie Fredriksson para uma simples back vocal.

 

Eles pegaram o que o pop atual tem de pior: o barulho acima da melodia; e o resultado é um álbum com boas intenções, mas que estão enterradas pela artificialidade do som. Tomara que esse karma seja expurgado depois deste trabalho, pois a dupla não pode desperdiçar seu potencial desta maneira.

 

Tracklist:

 

01. Why Don’tcha?
02. It Just Happens
03. Good Karma
04. This One
05. You Make It Sound So Simple
06. From a Distance
07. Some Other Summer
08. Why Don’t You Bring Me Flowers?
09. You Can’t Do This To Me Anymore
10. 20 BPM
11. April Clouds

 

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