Will Eisner é talvez o maior nome no que diz respeito à história em quadrinhos. Um dos precursores dessa arte, dedicou boa parte de sua vida escrevendo obras que até hoje influenciam muitos artistas e também os amantes das HQs.

 

Desenvolvimento urbano é um assunto bastante negligenciado, e depois de ler essa HQ, tive ainda mais certeza sobre essa premissa. Às vezes quando vejo a falta de organização da minha própria cidade fico tentando imaginar como essas ruas mal planejadas foram crescendo ao longo dos dias.

 

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Avenida Dropsie trata basicamente do crescimento de um bairro e as relações de cada morador entre eles mesmos e com o próprio emaranhado habitacional. Os primeiros habitantes do local são os holandeses, no século XIX. Logo em seguida, ingleses chegam para habitar as redondezas, e a partir daí já começam os primeiros indícios da xenofobia. Difícil explicar como Eisner consegue mostrar como os tempos mudam e os preconceitos são, de certa forma, sempre os mesmos. Esse hábito baseado no ódio se transmite de uma comunidade para a outra como se fosse uma gripe. Por isso, historicamente, e muito bem ilustrado nessa história, vemos como as origens e a perpetuação do preconceito são burras. Um grupo de determinados imigrantes é hostilizado, sem aprender, esse mesmo grupo hostiliza outro grupo e assim por diante. Não é fácil de entender porque simplesmente é bastante estúpido.

 

O filósofo Adorno criou uma escala para medir as tendências fascistas das pessoas*. Para quem não está acostumado com o termo, na contemporaneidade diz-se de fascista aquele que é antidemocrático e frequentemente preconceituoso em várias esferas. Ele percebeu que os estadunidenses apresentam um nível altíssimo de fascismo, o que prova que a visão de Eisner é bastante sóbria sobre a realidade histórica do próprio país. Além disso, podemos notar como as relações políticas se dão, nesse momento de início da democracia, na base do interesse e benefício particular.

 

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As pessoas da Avenida Dropsie provam a famosa frase de Sartre – “o inferno são os outros”. Bem, alguns personagens, românticos e altruístas talvez façam um pouco mais feliz essa história – o bom e velho clichê, mas bastante útil para resgatar um pouquinho na nossa fé na humanidade.

 

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*referência: