Metal Gear Solid V – The Phantom Pain é uma mistura de sentimentos. Ao mesmo tempo que traz alegria ao jogar mais uma obra prima de Hideo Kojima, não tem como deixar de sentir uma certa melancolia por saber que esse é o último jogo da franquia, o último da parceria Kojima Productions e Konami. O capítulo final da jornada de Big Boss que começou em Snake Eater. Uma lacuna do passado do herói que agora é preenchida e mostra sua transformação no principal e memorável antagonista da série.

 

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O jogo começa logo após os eventos do prólogo Ground Zeroes, com Snake devastado fisicamente e na mira do vilão Cipher, líder de uma excelente equipe de antagonistas surreais saídos da mente de Kojima, entre eles tem deste velhos conhecidos até um coberto por fogo. A introdução ao melhor estilo “horror movie” já é o bastante para cativar o jogador. Essa parte é um verdadeiro colírio desta nova geração de consoles, os detalhes, marca registrada de Kojima, fazem toda a diferença. Andar com dificuldade pelos corredores de um hospital, enquanto pessoas vão sendo exterminadas em volta e você está incapacitado de contra-atacar, provoca uma tensão que não experimentava deste The Last Of Us. Sem falar da espetacular perseguição na estrada. Um filme da franquia é só questão de tempo.

 

O maior diferencial de MGS V é o mundo aberto. Principal tendência do mercado, Kojima desenvolveu ambientes mais amplos – comparado aos antecessores – para entregar uma maior liberdade ao jogador e aumentar as possibilidades de uma invasão. Desta maneira, o jogador poderá usar cavalo, automóveis, helicóptero, além da velha conhecida caminhada para locomover-se, porém o vício mesmo vem nas missões que, apesar de não variar muito na ambientação (Afeganistão e África são os mapas da vez), nunca soam cansativas. O jogo possibilita várias estratégias diferentes para uma infiltração, em que você pode usar o ambiente ao seu favor (dia, noite, tempestade de areia, chuva) e uma grande variedade de armas que irá decidir sua abordagem, podendo entrar despercebido como um fantasma ou destruindo tudo como um brucutu, nunca sendo punido pela escolha. Embora eu seja um jogador “old school” de Metal Gear com a tendência do modo stealth – derrubar um por um até chegar no objetivo tem o seu prazer -, é muito divertido chegar com o pé na porta e destruir tudo para ver soldados voando após ser atingidos por uma bazuca.

 

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Outro modo de jogo que voltou é a Mother Base, sua base de operações. Conforme vai progredindo no jogo, é essencial que evolua a Mother Base, recrutando soldados – sempre de olho nas habilidades deles -, recolhendo armas, veículos, animais, além de recursos que vão ajudá-lo a investir na base que, quando menos esperar, estará gigantesca. Tão enorme que você precisará de um carro para ir de um lado até o outro, mas não se preocupe, há atalhos e segredos que só a mente maluca de Kojima poderia pensar, como disfarçar-se de caixa e ser transportado até o departamento escolhido. Esse tipo de esquisitice é praticamente lei em MGS, fora a ultra-sexualização das personagens femininas.

 

Não subestime a Mother Base, pois é com ela que conseguirá desenvolver novos armamentos, receber informações valiosas para as missões, ganhar pontos para gastar em melhorias, tomar um banho e tirar as moscas que ficam sobrevoando você, e sem esquecer de dar uma volta pelo local para elevar a autoestima dos soldados e conversar com os amigos de guerra. Um deles é Ocelot quepara mim, é estranho tê-lo como amigo depois de passar anos o enfrentando com Solid Snake, mas que, claro, faz todo sentido na história. Essa é uma das belezas de MGS, o bem e o mal nunca foram tão próximos.

 

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Retornando ao campo de guerra, o jogador tem a opção de “buddies” para acompanhá-lo nas missões. O jogador pode escolher ter ao seu lado um cavalo ou o melhor amigo do homem, e quem sabe alguém mais dependendo das suas decisões durante o decorrer da história. Curioso notar que em se tratando da narrativa, este é o MGS que menos foca em cutscenes, embora elas continuem sensacionais. É compreensível que Kojima tenha trabalhado mais na jogabilidade, até porque é o primeiro jogo de mundo aberto e muito coisa precisava mudar, mudando para melhor. O resultado é que mesmo após horas de jogatina, você verá que nem arranhou a superfície do game. Aliás, o roteiro pode ser conferido em gravações, conversas dos soldados e no próprio cenário em si. No entanto, sempre é bom lembrar que quem não é familiarizado com a série, é recomendado uma boa leitura sobre a mitologia, pois até eu que sou fã, preciso consultá-la para não ficar perdido. E nem adianta usar o iDrod para se achar.

 

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Metal Gear Solid V – The Phantom Pain tem uma grande gama de opções – o que não falta são manuais e dicas sobre o jogo na Internet – que proporcionam para cada jogador uma experiência única. Mais um projeto ambicioso de Kojima que encerrou o arco “Snake” de uma forma brilhante, o que não era uma tarefa fácil após o memorável Guns Of The Patriots. MGS V é um empolgante adeus para o passado e um primeiro passo, que faz tremer o chão, para um futuro ainda mais promissor de Kojima.

 

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Trailer: