O esquecível Deadpool de X-Men Origens: Wolverine agora é passado. Ryan Reynolds, junto com o diretor de efeitos visuais Tim Miller, conseguiu vender novamente o personagem para a Fox – graças ao vídeo teste produzido pelos dois -, com a condição que fosse uma adaptação fiel aos quadrinhos. Ou seja, toda a violência e humor característicos do anti-herói estariam presentes.

 

Depois de um longo período de desconfiança por parte do público, aliás o trauma foi grande, Reynolds, munido de uma campanha publicitária genial, mostrou que ele e o personagem nasceram um para o outro, em um filme que ator e papel completam-se (lembrando exemplos como O Lutador e Birdman) não poderia ter outro resultado do que um dos mais divertidos filmes de “super-heróis” já feito. Com todo o prazer.

 

Deadpool4

 

O roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick explora ao máximo o lado cômico de Deadpool, deixando Reynolds à vontade para disparar uma metralhadora de piadas que vão deste os clichês do gênero até da própria carreira do ator, sobrando tiros para a já citada versão muda e bizarra em Wolverine e o inexplicável Lanterna Verde.

 

Contudo, a necessidade de ser engraçado o tempo todo incomoda pelo exagero, mesmo que não chegue no status de insuportável esta parte poderia ser melhor lapidada. Outro problema do roteiro é a insistência de afirmar que este não é um típico filme de super-herói. Bom, acho que ao ver Wade Wilson/Deadpool ser “dominado” pela namorada Vanessa (Morena Baccarin) no sexo ou enfiar duas katanas no peito de um capanga dava para entender a mensagem. Além de trair – por um pouco tempo – a desconstrução dos clichês, usando no clímax um dos maiores deles que é salvar a mocinha das garras do vilão, neste caso o mutante Ajax (Ed Skrein). Felizmente são tropeços que não prejudicam o resultado final, pois os acertos foram em cheio.

 

Deadpool3

 

Um desses acertos é o clima descompromissado do filme que já começa nos créditos iniciais, mostrando que nada deve ser levado a sério. Quando Deadpool está em cena aparece a famosa quebra da “quarta-parede” em que ele interage com o público, recurso conhecido na obra de Wes Anderson e filmes como Curtindo A Vida Adoidado (fiquem para ver a cena pós-créditos) e o recente A Grande Aposta. Neste caso, não tem como sentir-se um cúmplice da brutalidade do personagem como acontece em House Of Cards, por exemplo, mas sim um amigo em que ele possa desabafar suas opiniões sobre aquele universo absurdo que, no caso dos X-Men, parece existir apenas dois mutantes na escola inteira de Charles Xavier. Piada pronta.

 

De efeitos visuais para a direção principal, Tim Miller, em sua estréia na cadeira, faz um trabalho satisfatório. Embora Reynolds garanta o filme com uma atuação de reerguer a carreira, Miller não decepciona nas cenas de ação, principalmente na conhecida sequência da rodovia que, apesar do pouco investimento na produção, nunca soa artificial, diferente do final e na captura de movimento de Colossus (Stefan Kapicic). No entanto, o importante é garantir na violência gráfica que é digna de um Kick-Ass: Quebrando Tudo. Nunca foi tão divertido ver Deadpool usando a cabeça de um capanga como bola ou ele fazendo uma memorável referência à Monty Python.

 

Deadpoolcapa2

 

Acima de tudo, Deadpool é a redenção de Ryan Reynolds com os fãs de quadrinhos. A prometida fidelidade pode ser conferida no uniforme do personagem – que Reynolds chorou quando o viu pela primeira vez – e na classificação alta que a produção manteve o pé para não ceder à censura. Não há mais desculpas para não fazer filmes de super-heróis para um público adulto – como a Netflix já vem fazendo -, e com o sucesso de bilheteria, resultando em uma continuação confirmada, Deadpool é um novo fôlego para um gênero que precisa urgentemente de ideias novas. Ideias que não são à prova de zoeira.

 

04-otimo

 

Trailer: