Walk

Philippe Petit é um louco, sonhador, persuasivo e ousado francês que desafiou a improbabilidade e andou entre os prédios do World Trade Center encima de um cabo, sem nenhuma corda de segurança. Esta insanidade foi realizada antes das Torres Gêmeas inaugurarem e mostrou para todas as pessoas que não existe o impossível quando se está determinado em alcançar seus sonhos.

 

Atualmente, a história já ganhou um recomendado documentário em 2008, O Equilibrista de John Warsh, que relata todo o processo da façanha com entrevistas reveladoras sobre a natureza humana e, neste ano, Robert Zemeckis decidiu transformar esse marco da história norte-americana em um drama divertido e cheio de tensão em A Travessia.

 

Com um carismático Joseph Gordon-Levitt na pele de Petit, Zemeckis foca na luta do francês em tornar seu sonho realidade em uma história leve, divertida e com tensos momentos de prender a respiração, principalmente no terceiro ato que só lembrei de piscar os olhos quando o clímax acabou. Queria ter visto este filme no cinema para sentir a vertigem que proporciona. A criativa câmera do diretor também marca presença, embora essa obsessão em inventar planos originais tire o público da ilusão cinematográfica. Outros fatos que prejudicam a obra é a pouca convincente explicação dos franceses insistirem no inglês, a narração off  que acaba explicando até sentimentos (boa sacada em colocar Petit narrando na Estátua da Liberdade) e os personagens secundários que só servem para ajudar o protagonista no desafio.

 

Mesmo com um nível de qualidade abaixo do documentário, essa nova visão funciona como entretenimento, além de adicionar um personagem cativante interpretado por Ben Kingsley, e trazer uma tensa sequência de equilíbrio que mostra porque Zemeckis ainda é um diretor que sabe encantar quando o assunto é a sétima arte.

 

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EverestBaseado em outra história real, Evereste conta a história de uma das maiores tragédias já registradas na montanha e que fez parte de um dos piores anos em estatística de vítimas.

 

Já irei iniciar o comentário com o grande problema do filme: o roteiro confuso. Escrito por William NicholsonSimon Beaufoy que não sabiam qual história queriam contar quando começaram a escrever as primeiras linhas. Deste modo, vários arcos dramáticos são construídos um após o outro sem nenhuma cerimônia em conclui-los de uma forma satisfatória, histórias como o do alpinista Rob Hall (Jason Clarke), responsável pela excursão até o topo da montanha; a luta pela sobrevivência de Beck Weathers  (Josh Brolin); ou sobre qualquer outro rosto famoso que há no filme como o de Sam Worthington e o pouco aproveitado Jake Gyllenhaal.

 

É uma avalanche de bons atores que precisam dividir a história com a imponente montanha, que está belíssima graças a competente equipe de efeitos visuais. Em raros momentos eu senti que eles não estavam nela, aumentando ainda mais o nervosismo pela vida dos personagens. Não há como não torcer por Rob Hall voltar e poder ver o nascimento do filho, o que só comprova qual era a verdadeira história a ser guiada do começo ao fim.

 

O filme também mata a curiosidade de conhecer o processo para subir no topo do Evereste que, apesar de perigoso, é um lucrativo negócio, e como as pessoas são obcecadas em mostrar que não há limites para o corpo humano e podem vencer a natureza. Só que para isso tem que estar preparado para pagar o preço e a vida é o preço mais caro que a montanha cobra.

 

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AmizadeAmizade Desfeita já pode ser considerado um marco do terror, não importando a sua qualidade como obra. Qualquer filme que siga a sua estrutura visual moderna terá uma inevitável comparação. Contudo, isso não quer dizer que seja um filme perfeito.

 

O enredo mostra a interação de vários amigos pelo Skype que começam a ser perturbados por um misterioso convidado, justo no dia que marca um ano da morte de uma amiga. O diretor Levan Gabriadze usa as redes sociais para desenvolver a história, e consegue isso sem ficar nada confuso, principalmente quando há várias janelas abertas no computador da protagonista Bleire (Shelley Hennig) que poderia deixar qualquer um maluco sem saber para onde olhar, mas ao contrário, tudo funciona de uma maneira bem fluída.

 

A tensão que vai crescendo aos poucos, com cenas pontuais de violência gore e uma entrega admirável dos desconhecidos atores, é garantia de bons sustos e olhos grudados na tela durante toda a duração. No entanto, quando se pensa melhor na história, percebe-se como ela não faz o menor sentido, e fica até engraçado ver um fantasma que sabe hackear a internet, a mente das pessoas e a linha telefônica. Sem nenhum histórico que justifica essas habilidades. Pelo visto oferecem cursos técnicos no outro lado.

 

Felizmente o filme se salva por tocar em temas, também nada muito aprofundado, como cyberbullying e a falta de privacidade online, mantendo a temática contemporânea deste terror que, mesmo com os absurdos, merecido ser visto.

 

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O Pequeno Príncipe, clássico literário de Antoine de Saint-Exupéry – e leitura recomendadíssima para crianças e adultos – é uma obra rica em significados sobre a vida e o que realmente importa para sermos felizes. Uma obra curta em número de páginas, mas longa em seus ensinamentos.

 

Em 2015, a história ganhou mais uma adaptação, agora em forma de animação 3D, que embora tente desenvolver um novo conto usando a obra original como ponto de partida, não consegue manter-se à altura da mesma.

 

Dirigido por Mark Osborne de Kung Fu Panda, a trama é sobre uma menina (Mackenzie Foy) que tem toda a vida já planejada por sua mãe (Rachel McAdams) – da maneira mais exageradamente divertida – e que descobre a importância de ser criança com um velho aviador (Jeff Bridges). Apesar da premissa até ser bonita, o roteiro não cansa de bater a mensagem principal na cabeça do público como se este não fosse capaz de compreender as metáforas da obra, além de investir em uma trama batida sobre amadurecimento e prejudicar o conto de Saint-Exupéry que aqui, em compensação, é mostrada através de uma bela animação, porém retratada muito superficialmente e cheio de explicações desnecessárias. Uma pena. Os realizadores deveriam ter cuidado melhor desta especial rosa.

 

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HolmesSe não bastasse ser o Magneto e Gandalf, o incrível ator Ian McKellen também pode ser chamado de Mr. Holmes. Sherlock Holmes.

 

Elogiá-lo de incrível até é pouco diante do imenso talento do ator britânico que, neste filme, entrega um Sherlock aos seus 93 anos, encarando os duros problemas da velhice com uma entrega que me fez realmente acreditar no estado do personagem. Isso quando ele não encanta pela classe demonstrada em interpretar o detetive ainda em atividade, quando este está tentando lembrar de um passado esquecido.

 

Para ajudá-lo neste desafio, ele conta com o apoio do dedicado Roger (Milo Parker) em uma relação de amizade que não é bem vista pela mãe do menino, interpretada por Laura Linney. As lembranças de Holmes mantem o espírito aventureiro que sempre empolga qualquer fã do personagem, mostrando todo potencial de suas habilidades. Contudo, é no presente que a alma da trama reside. Ver o famoso detetive em plena solidão e sofrendo por um passado incerto – interessante notar como Watson nunca surge como uma figura completa, boa sacada do diretor Bill Condon – não é fácil, porém a transformação que ele sofre através da amizade de Roger é compensadora. Definitivamente um filme tocante e uma aula de atuação pelo Sr. McKellen.

 

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