Beasts Se não bastasse fazer um excelente trabalho com o serviço de streaming, a Netflix agora entra para a história com sua primeira produção cinematográfica que, apesar da resistência de muitos cinemas, conseguiu emplaca-lo no circuito norte-americano. A competência mostrada nas séries (confira as resenhas de Demolidor e Sense8) é transportada para a sétima arte em Beasts of No Nation. A lista de clássicos do cinema sobre as diversas guerras que infelizmente ocorreram e ocorrem no mundo é grande, deste Apocalypse Now até Nascido Para Matar não tem como errar na escolha.

 

A maioria dessas produções foca na transformação psicológica dos protagonistas diante o horror do conflito, porém o estudo de personagem que Beasts desenvolve não é de um soldado e sim de uma criança que ao presenciar o pai e o irmão serem mortos, só deseja reencontrar a mãe em meio a uma guerra civil em algum lugar da África. A criança em questão, Agu (Abraham Attah), é recrutada pelo comandante dos rebeldes interpretado memoravelmente por Idris Elba, e ao lado de seu pequeno exército formado por crianças e jovens, o comandante irá proporcionar o pior pesadelo para Agu que com uma vida repleta de violência e sofrimento, deixará a inocência e alegria de outrora no profundo esquecimento.

 

Dirigido e roteirizado pelo competente Cary Joji Fukunaga (True Detective – 1ª Temporada) que entrega um filme simbólico e verossímil na realidade retratada, Beasts of No Nation não é só o primeiro filme original da Netflix, é uma obra essencial para qualquer um.

 

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SouthpawQuantos filmes você já viu que envolve superação através de algum esporte? Muitos, certo? Muitos mesmo. Tudo bem uma certa repetição em um gênero (a Marvel está no limite), pois tudo depende de como uma história será contada e o domínio que o realizador tem da fórmula. Southpaw faz parte do time que usa o boxe como uma forma de superar um conflito do protagonista.

 

Contudo, se há algum motivo que valha a pena conferir o novo filme de Antoine Fuqua, um diretor regular que até têm bons filmes como Dia de Treinamento e O Protetor, é a química entre Jake Gyllenhaal e Oona Laurence que, respectivamente, fazem pai e filha. Com grandes atuações por parte dos dois atores, o longa deixa de ser apenas mais uma história de superação para ganhar uma emocionante história de um pai disposto a recuperar mais do que a guarda da filha, o respeito e o amor dela. E com essa relação é difícil não torcer pelo lutador mesmo que o final seja o mais previsível possível.

 

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KnockNão é uma das tarefas mais difíceis prever como será um filme de Eli Roth. Violência e sexo estarão sempre próximos, não importando o quão bizarra a situação em que eles se encontram, pois a história em si será tão bizarra quanto do começo ao fim. Conhecido pelo tenso Albergue e o aguardado, pelo menos no Brasil, Canibais, o diretor agora apresenta sua nova produção que é Bata Antes de Entrar.

 

Diferente do exagero sangrento (até o sexo desta vez é bem discreto) das produções anteriores, a produção aposta na tensão e situações absurdas que o casado protagonista, um Keanu Reeves totalmente desconfortável no papel, enfrenta após entregar-se em uma noite de prazer com duas belas ninfetas. O roteiro até flerta com uma subtrama de um possível trauma provocado por abusos sexuais na infância, mas em vez de desenvolve-lo e tornar o filme interessante, os roteiristas só querem saber de bobagens como desenhos pornográficos nas paredes da casa e lição de moral para maridos infiéis mesmo que estes resistam ao máximo, não justificando a tal “vingança”.

 

Complicado como filme de terror e capenga como comédia (a piada final é de uma falta de criatividade imensa), a verdade é que o filme passa longe de ser notável dentro de qualquer gênero.

 

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PanA história de Peter Pan, obra de J.M. Barrie, já ganhou várias adaptações para o cinema, fora outras produções baseadas no personagem. Desta vez, chegou a hora de mudar um pouco o ponto de vista e mostrar que inimigos um dia já foram amigos.

 

A nova aventura, intitulada simplesmente de Peter Pan no Brasil, dirigida por Joe Wright (do cultuado Orgulho e Preconceito) traz a história de origem do garoto Peter (Levi Miller) antes de descobrir Neverland e tornar-se o menino que não quer crescer. O primeiro conflito que ele precisa enfrentar é o pirata Barba Negra (Hugh Jackman divertidíssimo no papel), e assim fazer jus seu status de “o escolhido” e trazer paz ao mundo mágico.  O filme diverte nas interações entre os personagens principais como entre Peter e um ambíguo capitão Hook (Garrett Hedlund). O capitão ainda participa de uma das cenas de ação mais inventivas que é a luta na cama elástica, embora Wright peque em tentar criar certos efeitos em 3D que acabam só prejudicando a continuidade das cenas. Outro pesar é o trabalho dos efeitos visuais que soa bem inverossímil, mas que acaba ficando em segundo plano por causa da belíssima produção de design dos cenários e figurino, este último só não faz sentido em tentar transformar Hook em Indiana Jones.

 

Uma boa diversão para a família, Peter Pan abre espaço para futuras adaptações do clássico. O que garante mais um bom tempo do personagem na telona.

 

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