Ela deitou e abriu as pernas. Eu deitei em cima dela e também abri as pernas. Ela abriu as pernas mais ainda. Eu também abri as pernas mais ainda. Acho que eu achava que o meu pau ia achar o caminho por conta própria, atraído por aquele cheiro. Parecíamos uma estrela marinha em cima da cama a ranger cheiros que eu não conhecia. Mas tinha ouvido falar.”

 

Esse é apenas um trecho das várias histórias que Mario Prata tem pra contar. Minhas Mulheres e Meus Homens traz mais de cento e cinquenta historietas de contatos da agenda pessoal do escritor. A organização é feita em ordem alfabética, mas também possui uma ordem cronológica, e se lida da segunda maneira, a leitura fica ainda mais interessante, pois vai se percebendo como as pessoas vão entrando na vida do escritor e como ali se vai tecendo sua própria biografia. Rubem Fonseca, Marília Gabriela, Antônio Cândido, Chico Buarque, Marta Suplicy, Gabriel García Marquez e Millôr Fernandes são apenas alguns nomes do rol de personalidades do circulo de amigos de “Pratinha”, alcunha dada pelos íntimos.

 

PrataDiversas vezes pode-se pensar que as histórias são mentirosas, tamanho o ineditismo dos fatos. Outras vezes, que Prata recebeu algum ou vários processos das personagens verídicas de seu livro. Só um imbecil ou extremamente habilidoso escritor contaria histórias totalmente comprometedoras sem parecer esnobe por conhecer esse tanto de gente famosa.

 

Além dessa aproximação causada ao leitor, talvez conseguida pela modéstia do autor, a ambientação é um ponto importante da narrativa, que vai do Rio ao interior de São Paulo em um átimo, e muitas vezes faz com que o Rio de Tom e Vinicius seja ilustrado em palavras convincentes não musicadas, como o Samba do avião. Em outras palavras, faz com que o leitor queira ir correndo tomar um sol no Leblon. Além de conhecer algumas peripécias sobre pessoas de que quase nada se sabe, o leitor poderá também se deleitar com as de artistas de que já é possivelmente fã.

 

Uma dessas histórias bastante engraçada é a do famoso e há pouco falecido apresentador e diretor Antônio Abujamra:

 

Desde 74, há 25 anos que o Abu me dá dois tipos de telefonemas:

a: – Prata?

– Abu?

– Sabe o que eu tenho pra te dizer? Nada! Tchau.

– Tchau.

b: – Prata?

– Abu?

– Estou ligando pra dizer que te amo. Tchau.

– Tchau.”

 

A leitura de Minhas mulheres e Meus Homens não requer nenhum tipo de disciplina, também não pede nenhum pudor, ao contrário. Ler um livro como esse nos embala para a leveza da vida sem aquele moralismo falso e despropositado. Prata criou amizades e amores e assim como isso, soube nos contar essas experiências deliciosamente.

 

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