Com a origem vinda da TV, Missão Impossível se tornou uma bem sucedida “série” no cinema, chegando à sua quinta “temporada”, Nação Secreta, com um Tom Cruise, na casa dos 50, ainda em boa forma.

 

O que mais gosto na franquia é a diversidade que há entre os “episódios”, pois diferentes diretores já passaram por ela, deixando sua marca como o brilhante suspense de Brian de Palma, a ação absurda de John Woo, a pegada intimista de J.J. Abrams, a aventura tecnológica de Brian Bird e, agora, o bastão está nas mãos do diretor e roteirista Christopher McQuarrie que trabalhou com Cruise no bom Jack Reacher – O Último Tiro. Contudo, apesar de manter – e brincar – com o cânone da série, essa nova aventura não mantem a mesma qualidade dos dois últimos, tendo no roteiro, também escrito por Drew Pearce (do fraco Homem de Ferro 3), os seus principais problemas. Problemas que nem o agente Hunt conseguiria solucionar.

 

Uma das cenas que foi mais usada como propaganda para vender o filme, tanto que ganhou destaque nos trailers e pôsteres, é quando o protagonista se pendura do lado de fora de um avião enquanto este levanta voo. É a típica sequência de ação em que Cruise dispensa dublê para realizar algo perigoso. Tudo é muito bem realizado, empolgante, engraçado – a frase “open the door” nunca perde a graça apesar de ser repetida várias vezes – e é digna de estar entre os marcantes momentos da cinessérie. Entretanto, é uma pena que tanto trabalho e dedicação da produção tenha sido para uma cena pré-créditos, que apesar de eficiente, não carrega uma tensão ou alguma grande relevância para a história, pegando o público totalmente frio. O filme começa desperdiçando um ótimo clímax.

Após os créditos, que repete a homenagem nostálgica feita por Protocolo Fantasma, o agente Ethan Hunt está novamente em uma situação delicada quando precisa provar a existência de uma organização secreta e salvar a IMF da extinção. A história em si não é o ponto forte da produção, deixando este papel para o humor e a ação que estão equilibrados de uma forma satisfatória (arrisco dizer que é o filme mais movimentado da série), além de fazer referências que unificam as antigas tramas. No humor, Simon Pegg, interpretando o sempre útil Benji Dunn, ganha mais espaço desta vez. Uma escolha acertada já que ele tem muito mais carisma e relevância na trama do que o William Brandt de Jeremy Renner. Está sendo uma missão impossível particular tentar entender por que ele está no filme. Idem com Ving Rhames que tem sua presença justificada apenas por ser um rosto familiar naquele universo.

No entanto, nem de sobras vive Nação Secreta, a instigante Ilsa Faust (Rebecca Ferguson) é a personagem feminina que faz jus aos tempos atuais: ambígua, forte, independente e salva o protagonista nos momentos cruciais e convenientes. Ela faz parte de uma das melhores cenas de ação do filme: a vibrante perseguição que marca o retorno das motos deste o segundo MI, mesmo sem a pegada surrealista de John Woo. Outro retorno é das máscaras que voltam com força, mesmo que tenha uma fala constrangedora no roteiro que precisa dizer o que o público já está vendo. Os gadgets  também marcam presença, mais discretos, porém não menos eficientes. O convite que se transforma em laptop e o dispositivo de abrir portas são os meus novos sonhos de consumo.

 

Do lado do mal, o antagonista, interpretado por Simon McBurney, é bem genérico, mantendo a tradição de vilões esquecíveis da franquia. Exceto por Philip Seymour Hoffman no terceiro filme. Felizmente, em Missão Impossível, os meios sempre são mais importantes do que o fim. Pode perceber como as cenas de infiltração e de perseguição são mais elaboradas, ficando em segundo plano a conclusão da história ou o desenvolvimento de um antagonista complexo. Tanto que me lembro com dificuldade o final, mas consigo visualizar cada detalhe da sequência no tubo de água. Principalmente pela mixagem de som que sobressai a batida cardíaca de Hunt para criar uma tensão e assim envolver o público em uma corrida contra o tempo.

Entre tiros certeiros e derrapadas sem capotamento, Missão Impossível – Nação Secreta entrega o que os fãs esperam da série. Sim, é o mais fraco comparado aos anteriores, mas isso não quer dizer que seja ruim, pois ainda funciona como um bom entretenimento. Além do mais, é o suficiente para Tom Cruise manter a franquia viva na memória das pessoas e provar que está inteiro fisicamente para uma nova aventura. Só na espera para ver qual será o próximo diretor a aceitar esta missão.

 

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Trailer: