O último álbum de uma era, mas não o próximo da banda. Desta maneira foi que o vocalista Jon Bon Jovi definiu Burning Bridges, décimo terceiro álbum de estúdio da banda Bon Jovi. Um trabalho que contém algumas músicas inéditas entre outras que não foram aproveitadas nos discos anteriores. Sem rodeios, um lançamento para livrar-se de vez da Mercury Records, gravadora que a banda permaneceu por trinta anos. Assim surge um álbum que é mais um presente para os fãs do que qualquer outra coisa, um pré-aquecimento para o vindouro álbum “oficial” em 2016.

 

 

Burning já começa atípico com A Teardrop To The Sea. Uma balada abre o álbum, algo inédito na discografia da banda. Uma bela balada intimista por sinal, deixando de lado qualquer tipo de letra otimista que Jon se acostumou a escrever. A guitarra suja alá Muse entrega um certo peso desconcertante à canção. We Don’t Run, a faixa que deveria abrir o álbum se fosse seguir o protocolo, traz o enérgico pop rock característico do grupo em uma roupagem que remete a bandas como Imagine Dragons, por exemplo. Faz parte do time das inéditas, composta para ser um dos singles em um álbum que foge da necessidade de ter vários hits. Cumpre bem o seu papel, diferente da Saturday Night Gave Me Sunday Morning que apesar de ter uma interessante letra (a única que Sambora tem crédito), apresenta um instrumental fraco que piora quando lembra a ótima Gotta Be Somebody do Nickelback. Essas duas últimas músicas me fazem lembrar porque desaprovo o produtor John Shanks. Ele adora comprimir vários instrumentos em um só som plastificado, ficando difícil distinguir o que está sendo tocado. Uma produção meia boca que fica nítida na bônus track Take Back The Night (torço para a banda não seguir este caminho dance no próximo álbum).

 

 

O alívio é que Shanks se mostra mais equilibrado neste álbum, tendo uma produção um pouco melhor do que foi no criticado What About Now. Contudo, o seu papel não ficou limitado apenas na produção, ele também assumiu a guitarra, que embora não tenha o mesmo feeling de Sambora, fez um competente serviço. Há duas faixas que tiro o chapéu para o produtor/guitarrista: Who Would You Die For e Fingerprints. A primeira é diferente de tudo que a banda já lançou, com um efeito eletrônico de fundo, a voz de Jon se sobressai de uma forma marcante (e solta ela com gosto). No entanto, o melhor dela é ouvir Tico Torres soltando a baqueta com força em um ritmo hipnótico. A segunda é simplesmente a minha favorita. Um semi-acústico – o violão marca bastante presença na produção deste álbum – que traz uma certa influência da música latina, com um solo melódico de guitarra que me faz tirar a minha imaginária para tocar junto. O lançamento deste álbum já valeu a pena só por essas duas músicas. O resto é lucro.

 

Sim, Burning peca por não ter uma consistência, uma identidade como o ótimo The Circle (apesar de Shanks), pois são diferentes músicas de diferentes álbuns. Porém isso não significa que não tem seu valor. Life Is Beautiful e We All Fall Down são praticamente irmãs temáticas, com suas letras motivacionais que são boas pedidas para um dia difícil. Blind Love traz a mesma pegada “down” de Teardrop. Praticamente composta de voz e teclado, tem um dos breves momentos que o tecladista David Bryan ganha destaque. Momentos que deveriam ser mais investidos pelo enorme talento do músico.

 

 

Com um som característico dos anos 60/70, I’m Your Man é outra pérola. Nem precisa de um refrão marcante para viciar-se nela. Sustentada por uma empolgante levada, um coro grudento e uma letra descompromissada, ela é perfeita para cantar para sua paixão de fim de semana. Por falar em descompromisso, a faixa-título é o “chutando o balde” oficial da banda em relação a gravadora. Contém uma letra cheia de sarcasmo embalada por uma melodia típica das cantigas irlandesas com direito a aplausos e assobios, encerrando de uma maneira divertida o álbum.Burning Bridges não terá um grande investimento para ser divulgado, contém músicas que apresentam diferentes sonoridades que a banda pode trilhar daqui pra frente e queima a ponte que os ligava ao passado para leva-los ao um futuro incerto, porém esperançoso.

 

Tracklist:

 

01. A Teardrop To The Sea
02. We Don’t Run
03. Saturday Night Gave Me Sunday Morning
04. We All Fall Down
05. Blind Love
06. Who Would You Die For
07. Fingerprints
08. Life Is Beautiful
09. I’m Your Man
10. Burning Bridges

 

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