Curioso notar que em uma semana tive uma das melhores experiências da minha vida ao assistir a animação Divertida Mente, enquanto na outra o tédio de ver O Exterminador do Futuro: Gênesis me fez querer ir embora logo do cinema. Os dois primeiros filmes da franquia – considero os únicos relevantes – são clássicos do gênero de ação. Uma aula de James Cameron de como desenvolver uma história complexa sobre viagem do tempo de uma forma que fique lúdico para o público entender, uma habilidade que ele sempre soube fazer, principalmente em seu último trabalho Avatar. Quem gosta ou um dia deseja ser diretor no gênero, Cameron é um dos mestres a ser seguido.

 

As continuações foram tentativas óbvias de tirar o máximo possível de lucro do sucesso que a nostalgia poderia trazer, pois a história de ambos, além de enfraquecer o cânone principal, não contribuíram significantemente para a expansão do universo. Até gosto de A Salvação por ter uma outra perspectiva da história, mas de longe é uma obra marcante. Agora, em uma época que antigas franquias estão voltando, algumas com soberba competência como Mad Max – Estrada da Fúria, outras nem tanto como Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros, é a vez de T-800 entrar em ação para mudar o futuro outra vez, e ainda com o carismático Arnold Schwarzenegger retornando ao protagonismo. Uma pena que o quinto filme conseguiu ser o pior da série até este momento, pois um futuro nada promissor visa novas continuações que só podem ser planos das máquinas para destruir os nossos cérebros.

 

 

Gênesis tinha uma boa ideia em mãos. Uma premissa que acabou sendo prejudicada pelo excesso de conflitos que os realizadores não souberem desenvolver. Repetindo a estratégia do novo Star Trek em mudar a linha temporal para criar uma história totalmente nova, e assim ter a liberdade de usar os mesmos personagens em situações diferentes, os roteiristas Laeta Kalogridis e Patrick Lussier, de uma maneira assustadoramente amadora, falharam na tentativa de unir as novidades com as referências da série. Deste modo, encheram o roteiro de reviravoltas que soam cada vez mais estúpidas a cada explicação, se perdendo totalmente na história que eles queriam contar.O mais absurdo é que as principais surpresas podem ser conferidas nos trailers que foram disponibilizados pelo marketing. Se você já assistiu algum trailer que mostrasse quase toda a história, não terá nada de novo para ver no cinema. É assustador o desespero dos estúdios para vender o seu produto ao público, não confiando na sua melhor propaganda que seria o próprio filme em si. Pelo menos, desta vez, os trailers devem evitar que bastante gente vá assisti-lo.

 

 

Ignorando os filmes 3 e 4, este novo capítulo parece um amontoado mal feito dos clássicos de Cameron, com direito a T-800 maligno e T-1000 em participações pífias e cheias de referências para ver se consegue conquistar o público pela nostalgia. Sim, a luta dos T-800 é até bacana, mas muito mais pela situação inesperada (que também pode ser vista no trailer) do que pela própria importância dentro da história. Interessante reparar que o diretor Alan Taylor, depois do divertido Thor – O Mundo Sombrio, se entrega a ação frenética e genérica, sem um cuidado no decupamento e seu conhecido realismo, parecendo uma cutscene de games. Nada aparenta ser verídico, os efeitos visuais é uma aula de como não entregar um trabalho nesta parte técnica, com robôs que mais parecem ter saído da pré-produção. Assim, a imersão fica comprometida.

 

Existe uma grande diferença entre suspensão de descrença – quando você aceita um mundo fictício, mas que funciona dentro daquele universo – e forçação de barra em achar que o público é tolo. Apostando na segunda opção, helicópteros fazem manobras sem se importarem com a física e pessoas podem sobreviver ao um capotamento que faria sangrar até o Superman, mas que aqui só provoca um arranhão na testa de Kyle Reese (Jai Courtney que também está no horrível Duro de Matar – Um Bom DiaPara Morrer).

 

 

Por falar em Kyle Reese, que nesta versão é sofrível ver como ele está perdido e sem importância, os outros personagens também não se salvam. Emilia Clarke como Sarah Connor até tenta impor sua força vista em Game Of Thrones, mas perde espaço em um romance bobo com Reese. Sem falar na cena que ela serve de apoio para o T-800 poder caminhar. Uma máquina que é pesada o bastante para arrebentar um carro com um impacto, não penso que seria tão fácil para carrega-lo como foi para ela. Outro bom ator que entrou nessa roubada é Jason Clarke (do recomendadíssimo Planeta dos Macacos – O Confronto), interpretando o pior John Connor da franquia. Transforma-lo no antagonista só mostra como os roteiristas realmente atiraram para todos os lados na tentativa de fazer algo surpreendente desta vez, o mais surpreendente foi a falta de segurança deles na história. Para piorar, sobrou até para a Skynet que com um “corpo” não transmite mais a sensação de um perigo desconhecido, e J.K. Simmons, ator que recentemente levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Whiplash – A Busca da Perfeição, é desperdiçado em um personagem desnecessário. Vergonha alheia ao vê-lo na tela.    

 

 

No entanto, o T-800 de Arnold é um suspiro de divertimento. O austríaco se mostra a vontade no papel, mostrando que é o único que entende realmente o que está fazendo. Se há alguma justificativa para a produção deste filme, foi para que ele pudesse se divertir e divertir os fãs em cair na porrada com outros exterminadores, empunhar a shotgun e dizer frases marcantes. Vê-lo andando ao som da clássica música tema – só lembrei da fraca trilha sonora de Lorne Balfe quando ele usou as conhecidas notas de Brad Fiedel – não tem preço. Contudo, não é o bastante para relevar os problemas do filme.

 

Enfim, O Exterminador do Futuro: Gênesis é mais uma tentativa de fazer dinheiro com o universo que marcou uma geração, e após assistir mais uma desanimadora continuação, me pergunto, será que dá para voltar no tempo e impedir que James Cameron venda os direitos da franquia?

 

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Trailer: