A humanidade caminha para um futuro distópico em que é só questão de tempo até que toda forma de vida entre em extinção ou, no melhor dos quadros, se tem um grave problema social que devemos nos adaptar, é claro se não formos escravizados pelas máquinas. Este é o pensamento da maioria dos filmes de ficção científica atualmente, entre os melhores exemplos recentes temos Interestelar, Mad Max e Chappie. Longe de reclamar deste ponto de vista, pois o que se vê hoje em dia é o que temos de mais realista (ou pessimista?). Contudo, sempre é bom ver o outro lado da moeda e acreditar que o ser humano é capaz de mudar essa previsão catastrófica, proporcionando um futuro digno à próxima geração. Sim, Tomorrowland tem uma proposta otimista que pode ser confundida com inocência, mas não deixa de ser inspiradora. A arte como um meio para um mundo melhor, a liberdade de atingir o potencial humano em seu pleno talento, tudo em prol de uma nova sociedade.

 

O diretor Brad Bird, que no currículo tem obras primas da animação como Gigante de Ferro, Os Incríveis e Ratatouille, além do divertido e empolgante Missão Impossível – Protocolo Fantasma, apenas comprova o seu talento como contador de histórias. Roteiro escrito em parceria com Damon Lindelof, Bird mostra a habitual competência na direção, principalmente com belos planos (o último traz uma linda mensagem), ação fluída que lembra bons tempos de Spielberg e boa interação entre o elenco (mesmo que alguns fiquem devendo como a protagonista interpretada por Britt Robertson). Assim, o novo filme da Disney, que na parte live-action do cinema (exceto com a franquia Marvel) não andava impressionando muito – nem gosto de lembrar que assisti Malévola e Caminhos da Floresta -, mas agora tem em sua redenção um filme família, divertido e que difere das outras produções por uma visão otimista e inspiradora de quem somos e podemos ser.

 

04-otimo


Bom, o sétimo capítulo – que no início da produção foi vendido como o último, mas resolveram acelerar com a confirmação do oitavo – da série cinematográfica Velozes e Furiosos é, sim, o melhor de todos, porém essa não é a justificativa principal para o grande sucesso nas bilheterias. O lado emocional do filme por ser uma homenagem ao ator Paul Walker, que morreu em uma fatalidade automobilística em 2013, acabou se tornando um grande marketing para levar o público, até aquele que não acompanha a franquia, ao cinema. Entretanto, para quem está acompanhando a série deste o começo (e sou um deles, mesmo não sendo um fã), não tem como não se emocionar em determinadas cenas especialmente gravadas para homenagear o ator.

 

Fora esta parte, Velozes e Furiosos 7 (leia os comentários do quarto, quinto e sexto) entrega o esperado: manobras cada vez mais arriscadas (e surreais) com os carros. Neste caso, não tem como achar mais nada absurdo, pois a franquia assumiu um universo próprio sem tráfego nas ruas ou qualquer existência da física. Então é mais do que normal, e engraçado, ver Dwayne Johnson saltar de um prédio, destruir um carro com a queda, ficar alguns dias no hospital (sem ferimentos graves) e só voltar no clímax para salvar o dia. Isso é o de menos quando se vê um carro atravessar prédios à metros de altura. A união de humor e ação em perfeita sintonia com um elenco que a cada filme está mais a vontade. As cenas que não tiveram a presença de Paul, mesmo que soem estranhas com o efeito visual, se mostram competentes em te manter na história. A dúvida agora é qual será a direção que franquia vai tomar com apenas Vin Diesel puxando a fila como o principal motorista da série. Espero que pelo menos o humor continue.

 

03-bom

Maggie foi vendido como sendo a chance de Schwarzenegger mostrar que sabe atuar em dramas, tentando repetir o sucesso de Mickey Rourke em O Lutador. Não que Arnold faça feio, mas de longe é uma atuação de prêmios. A história em si, que foge da correria e ação típicas do gênero zumbi, poderia render ótimos frutos, como a ótima atuação da talentosa Abigail Breslin (para sempre a fofa Olive Hoover de Pequena Miss Sunshine), o diretor Henry Hobson prejudica o potencial do plot para tentar realizar um filme que deveria ser dramático e sombrio para ser suave e “artístico”.

 

Não que o realizador tenha direito de fazer o que queira com sua obra, mas a história de um pai fazendo de tudo para passar os últimos dias com a filha contaminada – que a contaminação poderia facilmente ser substituída por outra doença terminal – e quais as atitudes que este homem levaria as últimas consequências, seria mais interessante do que ver os problemas que a menina enfrenta com a transformação e o medo de ir para quarentena. Enfim, um bom filme que tinha potencial de ser melhor.

 

03-bom

Ex-Machina, primeiro filme de Alex Garland, roteirista de Dredd e Extermínio, apresenta uma ótima premissa que resultaria em um interessante estudo de personagem da relação entre o ser humano e a máquina. Quem sabe até ficar no grupo de clássicos como o recente Ela de Spike Jonze, mas com uma abordagem sombria.

 

Contudo, o filme tem uma história e personagens que aparentam ser mais complexos do que realmente são, pois com o passar da duração até o interessante Nathan de Oscar Isaac é pincelado como um vilão, acabando com a ambiguidade daquele universo. Assim, sobra o protagonista Caleb (Domhnall Gleeson, que como Isaac, também estará em Star Wars – O Despertar da Força) que funciona mais como um peão para entendermos tudo que está acontecendo e a ótima Alicia Vikander como Ava, a única personagem que parece ter sido melhor trabalhada no roteiro. O principal problema do filme é um falso suspense que promete uma grande surpresa no final, mas para quem está acostumado com o gênero, vai notar a obviedade da “reviravolta” durante o desenrolar da história.

 

O limite da singularidade robótica e o existencialismo também são temas abordados e, de uma forma competente , consegue criar uma certa reflexão, mas nada tão aprofundado. O destaque fica realmente para o ambiente claustrofóbico representado por uma casa que transmite segurança e conforto ao mesmo tempo que intimida os “hóspedes”, esses que poderiam ser melhor aproveitados por Garland.

 

03-bom


Corrente do Mal é a prova do ano que o gênero terror ainda pode surpreender, mesmo não sendo original. O filme de David Robert Mitchell, apesar de ter algumas recaídas com sustos baratos e música alta acompanhada de suspense desnecessário, consegue envolver e criar um clima de tensão muito mais por sua competência com a câmera do que pela história em si.

 

Mesmo com um plot interessante, em que se vê jovens sendo perseguidos por uma força sobrenatural e para fugir dela precisam passar essa maldição para outra pessoa através do sexo, quem realmente se destaca é a câmera observadora de Mitchell que relata o perigo, muitas vezes, sem fazer alarde, criando uma inquietação pertubadora. Sem perder tempo com qualquer contextualização sobre esse mal que pode assumir qualquer face humana e está sempre no encalço do amaldiçoado, o diretor/roteirista investe no terror psicológico do perigo iminente e da vulnerabilidade das vítimas. Não é o típico terror de serial killer com perseguições e muita luta para sobreviver, mesmo com algumas cenas que remetem a esse estilo. É um terror sobre a impotência humana em se defender.

 

04-otimo