Com vinte e um anos de estrada, a banda Muse é atualmente uma das melhores bandas de rock e referência para as bandas novas. Sem dúvida deverá ser lembrada como uma das principais (se não for a principal) deste século. O trio de britânicos representa perfeitamente o rock contemporâneo sem deixar para trás suas influências do clássico, unindo o peso do estilo com música clássica e eletrônica. Por isso, uma grande expectativa sempre cerca um próximo álbum e assim foi com o mais recente trabalho, Drones. A banda retorna com o rock agressivo dos primeiros álbuns, além de continuar investindo em inserções eletrônicas, que foram evoluídas na obra prima The Resistence e, claro, no hipnótico The 2nd Law, resultando em uma verdadeira porrada sonora que veio para chutar muitas bundas neste ano.

 

 
 Para mostrar que não brincam em serviço, a música de abertura, Dead Inside, já é um hit obrigatório nos shows da banda. Seguido de um refrão “robotizado”, baixo (com a habitual competência de Christopher Wolstenholme em criar riffs viciantes) e bateria em sincronia repetitiva, o vocalista Matthew Bellamy mostra o potencial melódico de sua voz para entregar harmonia a canção. A faixa seguinte traz um militar e seu comandado em um diálogo (na verdade ordens e afirmações) que poderia ter sido tirado de Nascido Para Matar de Stanley Kubrick. Uma introdução para a mais do que clássica Psycho. Contendo um riff de guitarra marcante, digno do hall dos grandes riffs da banda, e só o tempo dirá se será do rock and roll, a banda compõe um realista hino militar que com um “your ass belongs to me now” deixa claro que você lhes pertence.

 

Relembrando Starlight por causa dos singelos acordes de piano, começa a belíssima Mercy. Dona de um refrão poderoso, é o pedido de misericórdia antes da exterminadora Reapers entrar em ação. O baterista Dominic Howard – que neste álbum está a mil por hora – dá a base para Bellamy brilhar nos solos de guitarra que vão de sonoridades semelhantes à Eddie Van Halen até Tom Morello. Uma prova que sim, técnica é importante, mas um solo com feeling é melhor ainda.
 Sim, este é um álbum que ao mesmo tempo que é sombrio e crítico contra o uso da tecnologia em prol do controle e aniquilação do ser humano, também traz uma luz de esperança para o nosso futuro. Então, antes da calmaria vem o caos. The Handler representa esse lado obscuro de uma sociedade dominada por ultrapassados conceitos e regras. Ainda traz um momento em que Bellamy e Wolstenholme unem guitarra e baixo que vale a pena destacar, fora o riff de guitarra ao melhor estilo Black Sabbath. Agora, começando a transformação do álbum, a banda lhe convida, depois de outro discurso agora do presidente JFK, para ser livre em Defector. Essa ligação existente entre as músicas só comprovam a importância de ouvir um álbum inteiro quando ele é proposto desta maneira, não apenas um single, e assim poder tirar uma melhor opinião sobre o trabalho de um artista.

 

Revolt, mesmo sendo a mais “simples” das faixas, mas com um som empolgante, traz uma letra emocionante pelo seu significado. Uma música para motivar cada um a iniciar sua própria revolta. Após esta explosão de sentimentos ouvidos até aqui, chega a hora da épica Aftermath te dizer que nesta guerra contra o sistema você não está sozinho em um refrão que deve ecoar nos estádios. Não tem como negar a grandiosidade da banda nesta faixa que tem uma bela pegada de blues. O psicodelismo pede licença em The Globalist que, iniciando com um assobio que remete aos filmes de western, apresenta alternâncias no som, do peso da guitarra até a serenidade das notas do piano, mostrando o entrosamento impecável que há entre eles. Quando você menos esperar o dez minutos da faixa terão passado. A faixa-título é apenas um aperitivo para encerrar a experiência que chegou ao seu fim.  As vozes fantasmagóricas dos integrantes remetem as almas perdidas em uma guerra cada vez mais tecnológica, mas que ainda é inventada por interesses egoístas de humanos.
 Drones é mais um brilhante trabalho de Muse. Eles mantem a mesma visão conceitual dos outros álbuns, agora com um tema que encaixa bem na proposta de apresentar algo relevante ao ouvinte. Um chamado para a nossa própria revolução. Dentro da sociedade e de nós mesmos.

 

Tracklist:

 

01. Dead Inside
02. [Drill Sergeant]
03. Psycho
04. Mercy
05. Reapers
06. The Handler
07. [JFK]
08. Defector
09. Revolt
10. Aftermath
11. The Globalist
12. Drones

 

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