Um dos blockbusters mais aguardados de 2015, Vingadores – Era de Ultron direciona um novo caminho que o universo Marvel irá seguir daqui pra frente. Com uma franquia já estabelecida no cinema, o estúdio também investe e expande seu universo na TV, tendo a oportunidade  com as séries de abordar personagens que dificilmente teriam espaço no grupo principal (não é o caso do Demolidor, mas a liberdade que a TV proporciona foi a melhor escolha  para o personagem). Agora, neste recente filme, um dos mais fechados e concisos da franquia, além de preparar terreno para futuras aventuras, desenvolve os conflitos internos do grupo e mostra que nem tudo são flores na vida de um super-herói, principalmente quando o principal perigo para a humanidade pode vir deles.

 

O diretor Joss Whedon é novamente o responsável pelo carro-chefe da Marvel, e através de um roteiro simplista na estrutura narrativa, mas com sub-tramas que trazem um certo ar de complexidade, Era de Ultron trata sobre o começo do fim deste super grupo, e um dos principais motivos para isso, um dos maiores acertos deste filme, sem sombra de dúvidas, é Ultron.

 

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O programa Ultron nasce de uma necessidade de Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) em criar uma inteligência artificial que possa ajudar os vingadores na proteção da Terra, pois alguns heróis não seriam o bastante para uma invasão massiva de aliens, ou até algo mais poderoso. Assim, através do medo e egocentrismo de Stark, Ultron (James Spader inspiradíssimo) rapidamente cria consciência própria e vê que a única maneira de proteger o planeta é com a extinção dos seres humanos, uma lógica básica dos vilões megalomaníacos. Entretanto, ele consegue diferenciar-se pela sua forte personalidade: engraçado e insano, Ultron é a imagem distorcida de Tony Stark, o Pinóquio que se rebela contra o criador.

 

Com o problema criado, conflitos e dúvidas internas começam surgir dentro do grupo, criando questões sobre o papel de cada um entre eles. Deste modo, Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans) ganha cada vez mais força. Essa crescente do personagem já era esperada por causa do próximo filme solo dele, intitulado Guerra Civil, porém a tensão entre ele e Stark começa já a ser trabalhada em Era de Ultron, com direito a uma pequena demonstração do que pode ser o embate entre eles no futuro.

 

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Se tem algo que Whedon é bom, é saber trabalhar no desenvolvimento dos personagens (como visto em Muito Barulho Por Nada), mesmo com algumas exceções. Cada personagem tem espaço para mostrar sua importância na história. Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Clint Barton/Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) são os únicos do grupo principal sem um filme próprio, então, como um prêmio, ganham um maior destaque para que o público possa conhece-los melhor. Scarlett ainda é par romântico de Bruce Banner (Mark Ruffalo) que, se não fosse por isso, ficaria dependendo apenas da presença do Hulk para as cenas de ação. A luta épica entre ele e Homem de Ferro, com direito a HulkBuster, vai deixar qualquer fã sem fôlego.  Thor (Chris Hemsworth), apesar de ter uma certa relevância na história, fica em segundo plano como o monstro verde.

 

Além de Ultron, outros personagens novos aparecem, como os gêmeos Pietro (Aaron Taylor-Johnson) e Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen). Enquanto Pietro tenta ser um alívio cômico e soa bem desinteressante (os poucos minutos do Pietro de X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido são o bastante para ganhar a comparação), a irmã Wanda é uma ótima adição à franquia com seu lado místico e dark, uma poderosa arma que é melhor ter como aliada do que inimiga. Contudo, nada se compara Paul Bettany como Visão. Nem vale a pena falar muito dele para não estragar as surpresas do filme, porém quero muito ver o que será planejado futuramente para esse carismático e poderoso personagem.

 

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Embora tenha uma tensão crescente em sua atmosfera, Era de Ultron contem o típico humor da Marvel, vide Guardiões da Galáxia. O próprio vilão em si é um dos personagens mais engraçados do elenco, com um humor particularmente negro. As cenas de ação mantem a qualidade do estúdio, porém Whedon continua inventando ângulos de câmera que, com os vários cortes por minuto, prejudica, e muito, a misc-en-scene de algumas sequências de batalha. Repare que quando o diretor opta por planos abertos ou em estende-los um pouco mais – como no belíssimo plano-sequência da cena inicial – a ação flui com mais naturalidade. Muito melhor do que ver várias coisas explodindo sem saber o que está acontecendo.

 

Por falar em explosões, o filme repete o vício dos últimos blockbusters de super-heróis como o próprio Vingadores – The Avengers e Homem de Aço: a necessidade de criar sequências de ação grandiosas que acabam se prolongando mais do que o necessário. O ponto positivo é que Whedon, para amenizar um pouco o exagero, mostra os heróis sempre preocupados com o bem estar da população. E se não me engano, é a primeira vez que vi um civil ser ferido no meio de tanta destruição. O realismo só é essencial quando é conveniente no gênero.

 

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Vingadores – Era de Ultron conclui de forma satisfatória a segunda fase da Marvel. Um filme que, desta vez, apresenta um vilão digno do poder dos vingadores, diferente do “Deus fraco” Loki. Um filme que encaminha bem o destino dos personagens principais e sabe apresentar os novos integrantes e, ao fim desta era, a única certeza que se tem é que o nosso planeta será pequeno demais para o próximo desafio.

 

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Trailer: