Ainda longe do meu querido videogame, de uns tempos para cá, a solução é jogar pelo PC, mas nada muito pesado como um Battlefield ou FarCry da vida, pois meu computador não aguenta tanto. Então, a melhor opção do momento foi Hotline Miami: Wrong Number, grande sucesso da Devolver Digital.  Confesso que joguei muito pouco o primeiro game, o que deve ter prejudicado minha total experiência na continuação, pelo menos no quesito história. Contudo, a diversão e muitos xingamentos foram garantidos, em um game bom para passar o tempo e responsável por uma trilha sonora incrível.

 

Hotline-Miami-2

 

Tendo a visão de cima do cenário, o jogador agora tem a oportunidade de controlar mais do que um personagem (uma das principais mudanças), uma oportunidade de desenrolar uma história complexa e que merece sua plena atenção para poder entende-la completamente. O surreal e realidade nunca foram tão próximos, e a última fase é o ápice de uma viagem psicodélica.

 

Um dos pontos positivos é que dependendo do personagem escolhido, você terá uma característica diferente de batalha, podendo usar uma espada para dilacerar os inimigos, ou duas metralhadoras para fazer um verdadeiro massacre, ou até mesmo estar acompanhado por um companheiro que te dará cobertura, enquanto você corta os oponentes com uma moto-serra. Nesta parte, levei um tempo para dominar o controle dos dois personagens, resultando a muitas mortes e uma certa frustração. A jogabilidade dá um leve escorregão.

 

Hotline-Miami-23

 

Por falar em frustração, se você for um jogador acostumado com as facilidades da maioria dos games atuais, deve sofrer bastante com a dificuldade – joguei no nível hard sem saber como poderia mudar para o normal, mesmo assim valeu a pena –, pois cada ação deve ser minimamente pensada, até se sair matando a rodo, é aconselhável já ter um bom domínio da cena. Um erro, só um erro, você morrerá, e quando se está quase no final de uma fase, parar para salvar naquele ponto não é uma opção, já que voltará até o início quando reinicia-lo. O que acaba tornando fases muito longas um tanto cansativas.

 

A quantidade e variedade de inimigos também impressiona, o forçando a usar diferentes estratégias para cada inimigo, seja ele um forte segurança difícil de matar, um veloz cão de guarda e até alguns que desviam das balas e outros que são completamente loucos para te estrangular. A paciência será uma grande aliada em vários casos.

 

Hotline-Miami-22

 

Não é um jogo para crianças, muita violência e alusão a cenas sexuais (até estupro) estarão à sua espera. O jogo te desafia a matar os inimigos usando os mais diversos meios que faria um sociopata te parabenizar. Há momentos que deverá apenas neutraliza-los, variando um pouco a repetição do game. A hipnotizante e nostálgica trilha sonora, que conversa bem com o visual do game (a colorida Miami) que remete aos anos 80 e 90, contem uma música melhor que a outra, inseridas em um VHS que o jogo emula durante a história. Não seria surpresa ao tirar a fita do videocassete, ela saísse derramando sangue.

 

Hotline Miami: Wrong Number é um passo à frente da série, e essencial para gamers que gostam de um bom e velho desafio. Em uma época de games cinematográficos, uma viagem ao passado sempre é uma boa pedida.

 

03-bom

 

Trailer: